O que a indústria de alimentos tem de bom?

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Falam que a indústria de alimentos é do mal, que todo enlatado e processado tem bruxaria, que produto industrializado é sinônimo de baixa qualidade. Oh, céus! Como faço para viver só de alimentos frescos, com zero processamento? Calma, respira. Arranja tempo para produzi-los e comê-los antes que estraguem.

Aí você diz “Pô Tutano, não seja simplista”. Ok. Sendo realista, vale lembrar que desde as guerras, as tropas comiam sopa, sardinha, milho e ervilha enlatados. Era preciso conservar por meses e não rolava comer fresquinho. Os tempos são outros, então se antes o maior desafio era suprir as tropas e a população em tempos de guerra, hoje, consiste em produzir e entregar alimentos para aproximadamente 8 bilhões de pessoas.

Os perigos da generalização

Há que se ter cuidado para não colocar tudo no mesmo balaio e confundir tico com teco. Estamos acostumados a ouvir o termo “processado” como o grande vilão, mas esquecemos que o arroz, farinha, leite e tantos outros alimentos do dia a dia se encaixam nessa categoria. Então esse termo “processado” não se resume a porcaritos, mas quer dizer que rolou uma modificação no produto. Já “ultraprocessado” se refere aqueles alimentos com adição de corantes, saborizantes e demais artifícios que visam praticidade e acessibilidade, tais como bolachas recheadas, pratos prontos congelados e refrigerantes. Esses sim,  potencialmente nocivos para nós

Outro exemplo de generalização são os “congelados”, comumente associado a produtos ruins. Mas, o congelamento nada mais é que uma técnica que visa preservar as melhores características do alimento e aumentar o seu tempo de prateleira. É um meio encontrado para nos dar acesso a uma diversidade de bons produtos, tais como carnes, pães e legumes, até produtos nem tão bons assim, como lasanhas, pizzas e steaks…

Equilíbrio

A indústria de alimentos cresceu demais e abriu um leque gigante de qualidade e preço. Tem de tudo: do bom e do ruim, do mais barato e do mais caro. Aí cabe a nós decidirmos o que comer e quanto. Se for possível conciliar a compra de naturais orgânicos com industrializados, já começa um equilíbrio a favor da saúde e fica mais coerente com o bolso também.

A ideia de consumir a melhor opção possível dentro da realidade financeira de cada um,  também cabe a donos de restaurantes.”Não faz sentido comprometer a qualidade de um prato escolhendo o ingrediente mais barato. O cliente final está mais exigente. Por exemplo, sabe identificar um bom azeite extravirgem”, comenta Aaron Phillipe, Chef Consultor da Gold Food Service, que distribui insumos exclusivamente para o mercado gastronômico.

Cozinha globalizada

No Brasil, um restaurante serve cordeiro com funghi secchi chileno, bacon dinamarquês e toque de geléia de cupuaçu da Amazônia. Viva o prato das nações unidas! O paladar se globalizou, o brasileiro curte comida gringa e, não fosse a indústria, os chefs não teriam ingredientes do mundo inteiro ao seu alcance.

Continuando o papo com Aaron, ele diz: “Em nosso galpão tem azeite de oliva espanhol, aceto balsâmico de Modena, pasta italiana da Puglia, queijos importados, doce de leite mineiro, açaí legitimamente paraense… Existe uma aversão ao produto industrializado, mas olha quantos ingredientes nobres, de origens diferentes, chegando até nós. Posso te dar ainda mais dois exemplos: tomate pelado e ervilhas congeladas. É claro que você pode consumir esses produtos in natura, mas o padrão de qualidade e os custos são inviáveis para a maioria das pessoas. Já os industrializados, são totalmente livres de conservantes, estão no ponto de maturação corretos e com disponibilidade o ano inteiro.”

Cabe recordar o quão heterogêneo nós somos e tamanha complexidade que existe em produzir, transportar e alimentar tanta gente. Por isso, não cabe uma resposta simples sobre a industrialização, e sim, a reflexão de como podemos compreender e equilibrar essa cadeia.

“Sempre vale a pena experimentar, conhecer o produto e as indústrias de alimentos. Essa conscientização e afastamento das generalizações tão comuns hoje em dia, certamente melhoram o mercado para todos. Eu entendo que sempre podemos repensar a gastronomia e a forma como nos alimentamos, mas sem abrir mão do equilíbrio.”, completa Aaron.

Esta publicação é uma parceria com a Gold Food Service.

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