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Isenção de cobrança de estacionamento em restaurantes

3 de maio de 2016

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Fácil, não é? Populista, não é? Claro! Sempre!

Acabo de receber em meu e-mail um projeto de lei que propõe a isenção da cobrança de estacionamento em restaurantes. Fico perplexo. Puto, eu diria. Sob o efeito das minhas angustiantes emoções, eu respondo ao e-mail para a ABRASEL, associação de restaurantes, colocando meu ponto de vista. Mais ou menos assim…

Quem essa lei quer beneficiar? O cliente? A resposta é não. Ela não vai cumprir esse objetivo por uma questão muito simples: os custos dos estacionamentos serão embutidos na conta do consumidor. Ou você acha que os custos com locação de terreno, IPTU, seguro contra furtos e roubos, vigias, manobristas, manutenção do pátio, vão ser pagas por quem? Porque, como todos nós sabemos, se um carro é roubado de dentro do meu estacionamento, quem paga essa conta sou eu. Não é o estado, sou eu. Essa lei pretende tornar público um espaço que é privado. Querem legislar sobre o terreno que eu comprei e pago pra manter. Fácil, não é? Populista, não é? Claro! Sempre!

Então eu tenho uma contraproposta: a gente deixa de cobrar o estacionamento e também deixa de pagar IPTU, cancela nossos seguros, demite os manobristas, e o estado arca com os riscos de furtos e roubos de veículos. Aí me parece justo. Aí o cliente será beneficiado. Afinal, quem deve prover a segurança da população é o estado. E se querem transformar meu estacionamento em um espaço público, que arquem com o resto das despesas. Mas isso obviamente não vai acontecer, já que eu pago estacionamento até pra ir em repartições públicas. Então vamos ao outro ponto da questão… A partir de amanhã, quando você não pagar pra estacionar seu carro em restaurantes, supermercados e shoppings, você estará sendo enganado. Essa conta vai continuar sendo sua, e pior, de forma invisível, camuflada no preço de pratos, roupas, pastas de dente, etc.

Então eu tenho uma contraproposta: a gente deixa de cobrar o estacionamento e também deixa de pagar IPTU, cancela nossos seguros, demite os manobristas, e o estado arca com os riscos de furtos e roubos de veículos. Aí me parece justo.

Daí, quando o preço daquele filé mignon que você come num restaurante for ainda mais alto do que o preço do filé mignon que você come na sua casa, você vai me perguntar: “por que isso, Beto?”, eu vou te dizer: “porque agora, além de todos aqueles custos que você já conhecia, você também paga pra parar o seu carro”.

O consumidor não quer isso, ele quer transparência. Essa lei vai na contramão da transparência. É por isso que outra lei, bem mais inteligente do que essa, obriga que os impostos sejam discriminados nas notas ficais. O cliente tem que saber tudo aquilo que está pagando, não pode mais ser iludido e achar que todo empresário é ladrão, quando metade daquilo que está na conta é grana que vai pro governo. “Tá, Beto, você diz isso porque é dono de restaurante e está pensando em benefício próprio…”. Errado, meu amigo. Eu não estou pensando no meu próprio bem, estou pensando em nós. Quero que você saia jantar fora mais vezes sem ter a sensação de que está sendo roubado. Quero que você saiba claramente quanto paga pelo estacionamento, pelos impostos, pelo serviço de garçom, pelo prato. Tanto não estou pensando em benefício próprio que, na Cantina Fadanelli, um dos meus restaurantes, nós não cobramos estacionamento, pois sabemos que o cliente vê isso como um diferencial. Mas agora que você aprendeu, você já sabe quem paga por esse diferencial, né?

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