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Kurtos Kalacs é medalha de ouro para o Brasil

19 de agosto de 2016

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Conversamos com a Ana Paula Lazier, pioneira do doce húngaro no Brasil

Na Hungria, os húngaros não comem coxinha, nem churros ou Biscoito Globo, mas também têm um queridinho, dizem, há pelo menos três séculos, o “kürtőskalács”: pão com açúcar caramelizado e canela. Se você acha que não tem ideia do que estamos falando, talvez você esteja enganado. Vai dizer que você, curitibano, nunca foi tomar um quentão na feirinha da Praça da Ucrânia e deu uma espiadinha na kombi da Ana Paula Lazier? Ou vai dizer que você nunca foi tomado pelo aroma doce de uma kombi charmosa com a logo Kurtos Kalacs? Bullshit! Até mesmo os húngaros, sim, os próprios, lá da Hungria (dãrrr), já se encantaram com o doce da kombi da Ana Paula, que significa “pão chaminé”. A prova disso é que a Kurtos Kalacs, preparou mais de 250 pães chaminés por dia, todos os dias, para atletas e visitante na Casa da Hungria, durante as Olimpíadas. E a gente, que já era fã, ficou ainda mais! Por isso, fomos conversar com a empresária Ana Paula Lazier, logo que ela saiu de outra entrevista, com a apresentadora Ana Maria Braga.

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Ana, conta pra gente como foi o primeiro contato com o doce.

Meu primeiro contato foi quando fiz uma viagem para o Leste Europeu, em Praga. Alguns amigos meus já tinham comentado sobre um doce “enroladinho” imperdível. E era mesmo. A cidade tem o aroma do doce e é impossível resistir. O formato dele já é encantador, a forma de comer: desenrolar. O doce é uma experiência gastronômica.

Por que resolveu trazer para Curitiba?

Foi uma loucura. Uma alucinação da minha cabeça. Tinha sido demitida, isso tudo foi em 2013, e estava completamente sem chão. Com a auto-estima ferida. Tinha certeza que eu só sabia lecionar e nada mais. Mas voltei com uma ideia martelando na minha cabeça: Curitiba sempre teve uma cultura de feiras típicas muito grande. A cidade é fria e tem uma colonização europeia muito forte. Pesquisei sobre o doce no Brasil e não encontrei nenhuma referência. Então pensei: seria sensacional se eu fosse pioneira e conseguisse trazer esse doce para o Brasil. Mas como? Não  sabia nem escrever o nome “kürtőskalács”. Tinha um dinheiro da rescisão e nada mais. Contei com a ajuda de amigos e familiares para trazer os equipamentos, importar as máquinas e comprar a kombi. Alguma força da gastronomia quis que abrisse uma vaga nas feiras exatamente no momento que eu cogitei a ideia de trazer o kürtőskalács para o Brasil. Foi uma aposta alta, arriscadíssima, não muito friamente calculada mas a minha intuição dizia: “se joga, Ana!”

Então pensei: seria sensacional se eu fosse pioneira e conseguisse trazer esse doce para o Brasil. Mas como? Não  sabia nem escrever o nome “kürtőskalács”. Tinha um dinheiro da rescisão e nada mais.

Qual é a sua relação com a gastronomia?

Ninguém na minha família trabalha com gastronomia ou é uma família onde todos se reúnem na cozinha, ou tem receitas da “vó”. Nunca tive isso. Como também nunca tinha trabalhado com comida ou tinha amor por cozinhar. Depois que já tinha comprado a kombi e importado as máquinas, fui para São Paulo fazer o curso de panificação do SENAC de lá. Esse foi meu primeiro contato com profissionais do ramo. Foi amor ao primeiro pão crescendo.

E como foi a reação dos curitibanos?

Foi de curiosidade. Muitos tiravam fotos do doce, queriam saber como ele era, como era feito, o que o nome significava, mas ninguém comprava (risos). Foi um trabalho árduo de degustação, atendimento ao público, apresentação do doce. Agora, depois que conseguia convencer o cliente e comprar e provar, graças ao sabor do kürtőskalács, ele tornava-se cliente. Foi uma conquista de formiguinha, um cliente por dia. Hoje o doce já é conhecido, as pessoas já tem seus sabores preferidos, mas sempre quando vou para um lugar diferente, outra cidade, ou outro estado, encontro bastante dificuldade.

Como foi o convite para fazer parte da Casa da Hungria e a participação?

Foi a maior surpresa da minha vida! Recebi uma e-mail da produtora que estava intermediando a construção da Casa da Hungria e cuidando de toda delegação húngara aqui no Rio. O pessoal da Hungria fez um pedido: queremos kürtőskalács na nossa casa. Eles procuraram e nos encontraram, somos os únicos do Brasil. Mesmo assim, logo de início, achei impossível nossa ida porque o doce é 100% feito na hora, a massa é produzida no dia e a kombi não chegaria nunca no Rio (risos). Mas o pessoal facilitou nossa ida: patrocinou caminhão cegonha para a kombi, nossa hospedagem, e então eu me joguei em mais essa aventura. Me senti uma medalhista de ouro, é uma alegria imensa porque, pela primeira vez, iria vender o kürtőskalács para húngaros. Seria o reconhecimento total e absoluto da originalidade da nossa receita. Mas nunca poderia imaginar que isso iria ter uma repercussão nacional tão forte como está acontecendo. Outro fator incrível foi que o carioca, já no primeiro dia, fez fila gigantesca para provar o kürtőskalács. Claro, estamos na Casa da Hungria e todos queriam provar a comida típica de lá. Essa foi uma situação que eu nunca tinha passado também.

Me senti uma medalhista de ouro, é uma alegria imensa porque, pela primeira vez, iria vender o kürtőskalács para húngaros. Seria o reconhecimento total e absoluto da originalidade da nossa receita.

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Deve ter sido um desafio preparar kürtőskalács para os próprios húngaros? Tem algum “tempero brasileiro”, um toque seu?

Logo no nosso primeiro dia, foi pedido que eu fizesse um kürtőskalács para o chef húngaro que pilotava a cozinha. O pessoal da produção levou para ele. Depois o chef veio até a kombi e disse (acompanhado de uma tradutora): “Nenhuma comida é servida sem minha autorização aqui na casa. Você está liberada para produzir. Só precisa colocar uma pitada a mais de sal na receita que ela está perfeita.” Foi, sem dúvida, uma das frases mais lindas que já ouvi na vida.

Como foi a rotina?

A casa abre das 12h às 02h da manhã. Das 15h às 17h é para o público geral, e nas horas restantes atendemos atletas, torcedores, treinadores, delegação etc. Medalhistas de ouro, o príncipe de Mônaco, o presidente do COI  e o primeiro ministro da Hungria já comeram meu kürtőskalács.

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Depois de tudo isso, quais os próximos passos? Planos de expansão, franquia?

Sim, já temos um plano de licenciamento de marca pronta. Tenho um desejo muito grande ter uma loja física dedicada ao kürtőskalács. Existe um cardápio gigantesco de kürtőskalács doces, salgados, com sorvete que eu posso fazer, mas que a kombi não me permite servir. Quero aproveitar o momento e consolidar nossa clientela nas feiras (esse é meu ganha pão, minha garantia), e colocar em pratica nosso plano de licenciamento para abrir um ponto fixo. Buscamos parceiros que acreditem no doce assim como eu sempre acreditei.

Kürtőskalács combina com o quê? É só para comer na feira? E para quem come em casa, o que você sugere?

  • Kürtőskalács combina com tudo. Tradicionalmente ele é uma comida de rua. É para comer em pé, batendo papo, desenrolando…mas vendemos muito para viagem, neste caso, as pessoas levam para comer com um café com leite. Combinação imperdível. E descobrimos que ele também tem uma vocação muito grande para harmonizar com cervejas artesanais. Kürtőskalács combina com o brasileiro.
    Ah, a Ana Maria Braga também ficou curiosa com a Ana Paula. Você pode assistir como foi a visita que ela fez ao programa Mais Você clicando aqui.

Serviço:

Feirinha do Batel
Rua Alexandre Gutierrez,esquina com Av. Iguaçu, Batel.
Terça-feira, das 15h30 às 21h30

Hugo Langue
Rua Dez. Rodrigo Otávio, esquina com Rua Augusto Stresser.
Quarta-feira, das 15h30 às 21h30

Champagnat
Praça da Ucrânia.
Sexta-feira, das 15h30 às 22h

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COMENTÁRIOS
  • Alguem tem o contato da dessa moça estou interessda pelo negocio tb trazer essa novidade pra minha cidade