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Madalosso é Selo Tutano

16 de agosto de 2018

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E o motivo é simples: é o primeiro restaurante que vem à cabeça quando o assunto é comer em Curitiba

Por fora, o “novo” Madalosso, restaurante que já figurou nas páginas do Guinnes Book como o maior restaurante da América Latina, pode passar uma impressão de imponência. Não se engane. Ali dentro você vai se sentir em casa.

A dimensão do restaurante é igual coração de mãe: sempre cabe mais um. O espaço é capaz de abrigar cerca de 3.000 famintos a cada domingo, atendidos por 400 funcionários. Caminhando por dentro das estruturas desse templo gastronômico no nº 5875 da Av. Manoel Ribas, não é difícil ter magnitude do por quê o Madalosso atrai multidões.

Os imensos salões com nomes de cidades italianas já atenderam personalidades políticas e do entretenimento (algumas fotos espalhadas estão ali para comprovar). Mas a verdade é uma só. São as quinquilharias antigas da família nas paredes que deixam claro que ali é um lugar para se chamar de lar.

“Seu Sidnei, seis lugares!” – chama o gerente no microfone

Você nem bem esquentou a cadeira e a sequência de “entradas” já está lá. Salada, risoto, fígado, frango a passarinho e a melhor dupla gastronômica que nossos queridos imigrantes italianos nos agraciaram. POLENTA E ASINHA DE FRANGO FRITA COM ALHO.

Antes do primeiro crack da escarola com bacon na boca, as massas já vem chegando à mesa. Feito milagre, é tudo em uma velocidade média de um garçom novo a cada três garfadas. Aliás, saca o apelido de um dos garçons que está por lá há mais de 40 anos e você vai entender o que eu quero dizer: Expresso! O negócio é rápido de verdade. Porém, não deixe a agilidade dos garçons te influenciar. Se não, tudo que está no seu prato vai ficar frio e misturado, e a Dona Flora, que comanda a cozinha da casa desde os primórdios, vai gritar de lá: “DEVAGAR SE VAI MAIS LONGE, MENINO!”.

Então segura a ansiedade. Vá de lasanha na manteiga, rondeli verde ao molho branco, ravioli de ricota ao molho pomodoro e canelone de frango ao molho ao sugo. Não esqueça os nhoques ao molho de carne, de rúcula com tomate seco e o rei: feito de batata salsa ao molho alfredo. E nem se assuste, a massa é leve e você vai querer comer em quantidades absurdas sem pesar na pança (talvez só na balança). Até aquele seu primo meio fresco vai deixar de lado a mania de não misturar doce com salgado quando o canelone romeu e julieta ou o conchiglione de figo passarem logo após o espaguete alho e óleo. Miolo de alcatra e copa lombo grelhados chegam quentinhos à mesa para te acompanhar nessa aventura. ALERTA: Dispense as calças apertadas.

O fato é: o roteiro turístico em qualquer domingo é fechado e intransferível. Tomar um café da manhã sem exageros, passar para dar uma andadinha leve no parque Barigui e ir direto para o Madalosso. É importante também não agendar um compromisso para depois. A não ser tirar uma boa siesta ou relaxar nos bancos da área externa do restaurante.

Como tudo começou

Foi Flora Madalosso Bertiolli, segunda filha de Antônio Domingos Madalosso, quem plantou em seu pai a ideia de comprar o pequeno Flórida. O ano é 1963, e foi junto com as poucas economias de genro Admar Bertoli que tudo começou. O restaurante de 24 lugares ficava em frente ao terreno que abrigava as humildes casas da família de então.

Renomeado de Restaurante Madalosso, o espaço que hoje conhecemos como “Velho” Madalosso já era coordenado por Flora, que hoje toca o “Novo” Madalosso. Para os postos de garçom, Seu Antônio colocou Carlos e Severino. As receitas servidas, risoto, polenta, galinha ensopada e salada de escarola com bacon, eram inspiradas naquilo comiam em casa.

O tempero da comida italianíssima somado ao jeito simples e convidativo do atendimento, fizeram o negócio cruzar Curitiba de boca a boca, formando longas filas no espaço aos domingos. Treze anos após a abertura do “Velho”, resolveram construir sob a antiga e falha plantação de uvas da família o colossal “Novo Madalosso”. De lá pra cá, muitos erros e muitos acertos, mas um fato indiscutível. O restaurante cruzou as fronteiras curitibanas, sendo conhecido e reconhecido no Brasil e no exterior.

Isso porque é tudo feito de família para família, há mais de meio século. As crianças amam o espaço kids, o garçom fala bem alto o nome do prato para a vovó, e todos saem satisfeitos, desde o tio guloso (que só quer comer muito) até o tio gourmet (que só quer comer bem). O que o restaurante vem fazendo de melhor nesses anos todos é criar conosco essa relação quase familiar mesmo. O Madalosso leva nosso Selo Tutano por uma razão simples. Todo mundo tem sua história particular com ele para contar. Conta para nós qual é a sua nos comentários!

[ANEXO ESPECIAL E EXCLUSIVO E DISPENSÁVEL E EM PRIMEIRA PESSOA]

Uma das famílias que a família Fadanelli Madalosso tocou com seu restaurante é a família Tres Maniezo. Nessa parte totalmente dispensável mas particularmente calorosa desse texto, explico. Já fui no Madalosso com absolutamente todas as pessoas que eu amo. Toda a família, amigos antigos, amigos recentes, tudinho. Em seis anos que moro em Curitiba, fui um número de vezes tão grande que ouso dizer nem meu irmão (o engenheiro da família), saberia fazer o cálculo. Vindo do interior paulista para estudar Jornalismo na cidade grande, adivinha o primeiro restaurante que fui com mais um ÔNIBUS LOTADO DE VESTIBULANDOS FAMINTOS? Madalosso. Voltei para fazer a matrícula com meus pais e: Madalosso. E longos quatro anos de Restaurante Universitário eram agraciados vez por outra para receber o pessoal amado que vinha lá do cafundó para apenas duas coisas. Tirar foto no Jardim Botânico e comer no Madalosso. Preciso falar onde fomos no domingo após meu baile formatura? Pra mim, o Madalosso é Selo Tutano simplesmente porque toca a história de muitos de nós, curitibanos ou malucos que resolvemos chamar aqui de lar.

Não deixe de provar a Minestra de frutas vermelhas!

Restaurante Madalosso

Avenida Manoel Ribas, 5875, Santa Felicidade
(41) 3372-2121
Segunda a sábado, 11h30 às 15h e 19h às 23h
Domingo, 11h30 às 15h

Patrocinadores:

Bodebrown
Stampa Food

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COMENTÁRIOS
  • A 1a vez que fui comer no Madalosso foi no começo dos anos 80. Eu liderava a chamada "turma do fundão" numa excursão do colégio, vindo de Londrina para conhecer a capital do estado. Lembro que tentei me esconder em um banheiro do Shopping Mueller, que vinha antes no roteiro da excursão. Simplesmente não conseguia entender por que tínhamos que abreviar a visita ao primeiro Shopping que eu visitava na vida para ir comer frango e polenta em um restaurante. Por isso tive que ser resgatado de dentro do reservado do shopping mais bacana de Curitiba pelo coordenador pedagógico que acompanhava a molecada. Ele e o motorista me arrastaram à força até o coletivo. Do Mueller até Santa Felicidade eu era o capeta que puxava o coro dentro do ônibus da excursão: Motorista se eu fosse como tu, tirava o pé do bréque e enfiava a mão no...

    Enfim, o resultado foi que todo mundo entrou no restaurante e se refestelou entre lasanha, polenta frita, asinhas de frango, suco de uva e sorvete. Todos menos eu, que fiquei de castigo, emburrado e atirando pedaços de papel toalha molhados da janela do ônibus nos carros estacionados em volta. Por sorte uma professora, penalizada, trouxe uma quentinha para o motorista dividir comigo. Foram as melhores asinhas de frango que já comi na vida, menino em fase de crescimento, sabe como é, comi até me obrigarem a parar.

    Finalmente acabaram me deixando entrar rapidamente na lojinha e comprei um vinagre de vinho e um ímã de geladeira, encomendas da minha mãe em Londrina. Mesmo assim, tive que jurar nunca mais na vida cantar aquele refrão para o motorista.

    De lá para cá muita coisa se passou, a Dona Flora já me deu entrevista, fiz faculdade com a Giovana, pedal rural com o Lorenzo, tomei cerveja com a Anauila e o Carlão na Ilha do Mel, frequentei o boteco do Marco, o Mabu me deixa entrar na cozinha do restaurante e o Beto disse que um dia vai pendurar a minha foto no painel de celebridades da recepção. Mas antes eu preciso fazer uma prova inteira de mountain bike com ele, sem reclamar das subidas e sem chorar.

    Talvez essa história esclareça um pouco sobre a minha declarada paixão pelas asinhas com alho. É como eu sempre digo: nada como uma asinha de frango após a outra. Calculem a minha felicidade ao saber que um dos meus restaurantes favoritos, berço de uma das famílias mais admiráveis que conheço, ia virar Selo Tutano. É por essas e outras que tenho tanto orgulho dessa revista!