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Minha experiência no Central Restaurante, em Lima

25 de janeiro de 2018

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Fernanda Ávila conta como foi jantar no Central, restaurante do chef Virgilio Martínez, no Peru

Eu comi no Central Restaurante. Comecei essa frase várias vezes, de diversas formas, mas o que eu queria mesmo era contar isso. Jantei no 4º melhor restaurante do mundo (na lista de 2016), de acordo com The World’s 50 Best Restaurants. O 2º da América Latina na lista do ano passado. Já vou contar essa experiência, prometo.

Antes precisamos falar sobre o Peru. Talvez você já saiba que a comida peruana é – junto com o Machu Picchu – a maior atração turística do país. Talvez ache que comida peruana é ceviche. E é. Também. O que talvez você não saiba é que tudo faz parte de um plano do governo peruano para transformar a economia do país que, depois de duas décadas de recessão (final dos anos 90), conflito armado e um ditador que até hoje ninguém sabe direito se nasceu no Japão ou no Peru (só uma curiosidade, tá?), começou a se estabilizar e decidiu transformar uma paixão nacional (a comida) em paixão internacional.

E os caras fizeram isso direitinho: capacitaram pessoas, investiram no setor, criaram eventos (como a feira Mistura) e chamaram uma agência de publicidade para divulgar. Tudo isso encheu o povo de orgulho. Você já pediu dicas de viagem a um peruano? Repare, ele nunca te indica um museu ou um passeio. Ele fala da comida e diz quais restaurantes você tem que conhecer.

Mas nada disso foi inventado assim do nada. A comida deles já era boa pacas. Eles só fizeram a lição de casa bonitinho e apresentaram a comida peruana para o mundo. Deu tão certo que, em 2017, o Peru foi eleito pela 6º vez consecutiva (É hexa!!!) o melhor destino turístico culinário do mundo pelo World Travel Awards, premiação pica da indústria do turismo. Chupa, Europa!

Cada um que chegava à mesa fazia nossos olhinhos brilharem de emoção. Dava vontade de perguntar: é de comer?

Voltemos ao Central Restaurante. A cozinha é comandada pelo Virgílio Martínez (assista ao capítulo dele no Chef’s Table), um cara que queria ser skatista profissional, começou a faculdade de direito e acabou virando chef. O rapaz cozinha bem pra burro, é todo famosinho, tem um quilo de prêmios, mas o que eu acho mais legal mesmo é que ele inventou um jeito muito original de montar seu cardápio. Todas os pratos (hoje ele só trabalha com menu degustação) são criados em viagens feitas pelo Peru, com ingredientes nada convencionais que ele sai catando na água e na terra. Não se preocupe, a irmã dele é bióloga e vai junto pra garantir que a gente não coma veneno. Os pratos são organizados de acordo com a altitude, da menor para a maior. Escolhemos o menu Ecosistemas Mater, que começou a -10 metros abaixo do nível do mar com Moluscos de Roca e terminou a uma altitude de 3.050 metros com Medicinales Y Tintóreas, uma infusão feita com plantas medicinais (óbvio) e outras usadas para tingir tecidos (não tão óbvio).

Foram 11 no total. Até tinha um menu de 14 pratos, mas resolvi economizar (risos).

Cada um que chegava à mesa fazia nossos olhinhos brilharem de emoção. Dava vontade de perguntar: é de comer? Algumas coisas não eram, tipo uma cumbuca que servia apenas como suporte para duas espátulas de madeira (quase comi a espátula) e umas cabeças de piranha que eram só enfeite (ufa!). Dos 11, só um não desceu bem. Eu engoli, mas lacrimejei. Chama Suelo de Mar e é feito com ouriço e pepino, caso você deseje pular essa experiência. Esse é da altitude 0 m.

É como uma exposição de arte contemporânea: tem coisas que a gente colocaria na sala de casa, outras que incomodam profundamente.

Essa história das altitudes é muito bacana, porque cada prato representa o bioma daquele lugar, não só nos sabores como também no visual. É a interpretação do chef de cada região visitada. É pessoal, é autoral, é conceitual. É como uma exposição de arte contemporânea: tem coisas que a gente colocaria na sala de casa, outras que incomodam profundamente. Mas a experiência completa é de fazer cair o queixo. E eles sabem bem disso. Sacam que você tá ali bem deslumbrado e te convidam para tirar foto na cozinha na hora de pagar a conta. Claro que eu não perdi essa oportunidade. Fui lá ver de perto aquele time (o Virgílio estava no Chile. Eu perguntei.) de cozinheiros bailarinos que trabalham com uma leveza, um sincronismo e um silêncio que eu nunca tinha visto na cozinha. E fim.

Outros lugares que eu recomendo em Lima:

Isolina Taberna Peruana – cozinha tradicional, com gostinho de comida de mãe peruana. Fica no bairro boêmio de Barranco. Combine com uma visita ao MATE, museu do fotógrafo Mario Testino.

Barra Chalaca – esse fica no bairro mais metidinho, San Izidro, mas é comida boa e barata. Comida de gente como a gente, só que no Peru.

La Huaca Pucllana – serve uma releitura da culinária criolla e fica dentro de um sítio arqueológico aberto para visitação no bairro de Miraflores. Já mata dois coelhos com uma cajadada.

Maido – Esse encabeçou a listinha dos melhores da América Latina em 2017 do The Word’s 50 Best Restaurants. O 2º do mundo! Comida Nikkei (japa + peruana, representada em Curitiba pelo Nou Nikkei) para nunca esquecer na vida. Também fica em Miraflores.

Artigo de: Fernanda Ávila

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COMENTÁRIOS
  • Adorei a matéria, informal, objetiva.
    Só ficou faltando informação sobre os valor do jantar. Porque não divulgam? Esquecem que isso ajuda demais quem tá se planejando pra ir (podendo até mostrar que é um sonho acessível). No meio de tantos relatos na internet poucos falam o preço real e confiável.
    De toda forma, parabéns pelo site.

  • Que bela matéria