“Nossa casa fora de casa”, onde somos o que queremos ser

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Domingo de manhã, deitado no sofá e tomado pelo tédio, sou arrastado pela família para almoçar fora, naquele restaurante em que sempre vamos e adoramos, conhecemos todo mundo e todos nos conhecem, onde de tempos em tempos escuto: “como cresceu, até ontem era um bebê. Como está forte e corado (gordinho)”.

Curioso e entusiasmado, vou com meus colegas de estudo pela primeira vez a um bar de “nossa escolha”, aquele que algum colega diz ser ótimo, segundo seu pai. Comidinhas maravilhosas, bebida gelada, ambiente favorável. Democraticamente, o pouco dinheiro não faz diferença. Lá, digo e ouço o que quero, todos me conhecem e reconhecem pelo que sou – ou digo ser-, renasço diferente a cada novo dia. Indignado e revoltado com o mundo, debato, questiono, critico e soluciono todas as mazelas do mundo e, por vezes, da vida prática, filosófica e espiritual. Ajo assim, porque sou informado, coerente, lúcido, rebelde, e sabe-se mais o que, segundo meus companheiros de mesa. Será? Pois é. Aquela mesa daquele bar, onde eu fui fundamental naquela época e a época fundamental em mim, assim como outros certamente são hoje.

Em breve alguém dirá para minha filha pré-adolescente: “como cresceu, até ontem era um bebê. Como está forte e corada (gordinha)”.

Apaixonado e inebriado, levo meu novo e definitivo amor para jantar naquele restaurante maravilhoso, romântico, moderno e acima de tudo familiar, marcando o início de um novo rumo para nossas vidas. O ponto de partida para uma nova família, a minha. Em breve alguém dirá para minha filha pré-adolescente: “como cresceu, até ontem era um bebê. Como está forte e corada (gordinha)”.

“Pai, este é o… inho”, diz minha filha com aquele ar de feliz, enquanto organizamos as posições para sentar junto à mesa daquele restaurante lindo, comida maravilhosa, bebida selecionada e pessoal acolhedor, como nossa família. Mantenho-me receptivo e maduro, como todo o pai de filha única deve ser. Na minha outra casa, depois eu me ajusto. Que bom que temos estas possibilidades para lidarmos com a vida, que é maravilhosa, mas nos exige muito.

Muitos restaurantes possuem uma história semelhante, alguém da família cozinha muito bem e começa a cozinhar para fora, nascem os restaurantes. Inicialmente familiares, pai, mãe, irmãos, sobrinhos e cunhados, além dos amigos de infância, todos trabalhando juntos, envolvidos, comprometidos e animados. Em harmonia, aquela típica harmonia familiar, gritos, brigas, disputas de poder, mas acima de tudo amor e união. Talvez por esta razão, mesmo quando as empresas crescem e se profissionalizam, ainda assim fica certo ar de “casa da gente” ou “nossa casa”, onde somos o que queremos ser.

Ronaldo Cruz, Consultor Empresarial, Coordenador Universitário um apaixonado por Gastronomia e Cutelaria.

1 COMENTÁRIO

  1. Esse é o cara!!! Ótimo professor e uma pessoa muito carismática que todos gostam, só pode fazer sucesso.

    Grande Abraço,

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