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O Kamikaze vai deixar saudades

6 de setembro de 2017

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Com 41 anos de tradição, o restaurante Kamikaze encerra as atividades

O Kamikaze foi o restaurante japonês de Santa Felicidade. Depois, foi o restaurante japonês da Vila Izabel. Foi o restaurante do seu Kazuma, aquele senhor “bem-humorado” que decidiu morar em Curitiba porque aqui “nevava”. Foi o restaurante do Juliano Ezaki, que aprendeu com o pai a preservar a tradição da cultura e gastronomia japonesa. Depois de encerrar as atividades, o Kamikaze É o restaurante que vai deixar saudades entre sanseis, nisseis e toda uma geração apaixonada pelo tempero que a família Ezaki manteve por 41 anos.

Essas quatro décadas de história do Kamikaze começaram quando seu Kazuma veio mochilar no Brasil, em 1972. Seu filho, Juliano, conta que o pai se apaixonou pelas praias e pela música. “A bossa nova era o hit do momento, parecido com o jazz, e o Kazuma foi fisgado pela essência tupiniquim e decidiu que queria ser um brasileiro”.  Ele fez as malas, voltou para o Japão e em 1974 decidiu cruzar continentes o recomeçar a vida no Brasil Seu sonho? Ser brasileiro. “Nesse tempo, uma marca de whisky nipônica resolveu abrir um  restaurante em São Paulo e contratou uma equipe para inaugurar a casa. O Kazuma aproveitou essa chance e ali ficou por dois anos”, conta.

Este era meu pai, um rebelde japonês apaixonado pelo brasileiro. A impressão que ele passava era contrária, era sarcástico e respondão.

Juliano explica também que,  quando seu Kazuma descobriu que em Curitiba nevava (nevou na cidade em 1975 e foi notícia em todo o país), imaginou que esta seria melhor cidade do Brasil. Pouco tempo depois, ele se mudou e conheceu o senhor Joia, um lendário japonês de Santa Felicidade, que trabalhava no Madalosso. O senhor Joia foi a ponte para que Kazuma conhecesse a dona Flora Madalosso, quem o convenceu a abrir um restaurante japonês, no bairro italiano de Curitiba. “Assim começou o Kamikaze. Um restaurante japonês no meio da colônia italiana.  Totalmente contra a lógica.  E este era meu pai, um rebelde japonês apaixonado pelo brasileiro. A impressão que ele passava era contrária, era sarcástico e respondão. Sorte que a comida salvou a casa – que ele abriu em 1976, como instrumento para tentar transmitir sua cultura e ideais em troca de grandes amizades”.

Depois que o seu Kazuma faleceu, no último ano, Juliano decidiu fechar as portas do restaurante e viajar. “Trabalho desde o meus 14 no restaurante, estou há 27 anos aqui, preciso tirar férias sabáticas”. Juliano contou para a gente também que pode ser que um dia ele reabra o Kamikaze, talvez com outro nome, talvez em outro lugar. Ficamos na torcida para que seja por aqui e que não demore muito. 🙂

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