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Bate-papo com o competidor do MasterChef, Ravi Leite

4 de outubro de 2017

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O chef curitibano fala da carreira, dos planos e da competição

O competidor do MasterChef 2017, Ravi Leite, já virou celebridade gastronômica. E, segundo boatos no Instagram, ele está prestes a cozinhar para o Neymar. Não é pouca coisa!

O chef curitibano, de 26 anos, já trabalhou nas cozinhas do Famiglia Fadanelli, com Beto Madalosso, do Guega, com Celso Freire e passou boa parte da carreira cozinhando com o chef francês Laurent Suaudeau, na Escola Culinária Laurent Suaudeau. Trocamos uma ideia com ele sobre a carreira, planos para o futuro e um pouco (quase nada, porque ele não pode falar muito sobre isso) sobre sua participação no MasterChef.

Quem te ensinou a cozinhar?

Foi o chef Laurent Suaudeau. Eu trabalhava nos restaurantes de Curitiba e era cozinheiro, mas não sabia nada. Só achava que sabia. Quando eu vim para São Paulo trabalhar com ele, aprendi a fazer tudo o que sei.

Como foi esse aprendizado?

Meu pai é amigo do Beto Madalosso e, quando eu tinha uns 16 anos, o Beto me chamou para ir no Fadanelli e fazer bife à parmegiana. Todo domingo eu ia e via aquela correria. O pessoal entrava, saía, servia as mesas e eu ficava lá fazendo bife. Me lembro que eles abriam lata de tomate com faca, não com abridor, e eu ficava em choque com isso.

Quando saí do Fadanelli, fui morar nos Estados Unidos por um ano. Voltei, entrei na segunda turma de gastronomia da PUC – PR, trabalhei numa loja de brinquedos, no Bistrot do David, fiz estágio com o Celso Freire no Guega.

Fui para a cozinha do Laurent e ele me deu toda a base. Nos lugares de antes, eu aprendia a fazer um macarrão, um risoto. No Laurent, eu aprendi a fazer qualquer coisa do jeito certo, adquiri confiança para abrir meu próprio negócio.

E como você foi parar na cozinha do Laurent?

Ele deu uma aula em Curitiba, no Espaço Gourmet  e fui assistir. Quando terminou, perguntei para ele: “chef, você não quer me adotar?”. Ele disse: “não, já tenho dois filhos, dois cachorros”. Acho que ele já está acostumado com as pessoas pedindo para trabalhar com ele e me disse para aparecer em São Paulo.

Então, eu terminei a faculdade, me formei e fui para São Paulo. Bati na porta da escola dele e disse: “vim para trabalhar, posso começar amanhã?”. Ele ficou me olhando, acho que não esperava que eu fosse mesmo para lá, então ele ficou sem ter para onde correr. Me perguntou: “você já tem casa aqui?”. Eu disse: “tenho”. “E você já tem emprego?”. Eu disse: “não, por isso eu vim”.

O Laurent me chamou para sentar e ligou para todos os chefs que conhecia, para ver se alguém precisava de gente na cozinha. Foi na época em que o chef Vítor Sobral estava abrindo o restaurante e eles me aceitaram para trabalhar lá. Mas eu era um bosta e não sabia de nada. Fiquei uma semana e os caras me mandaram embora. Voltei para o Laurent e falei: “chef, eles me mandaram embora”. Ele ligou para o Renato Carioni, chef do Così, que me aceitou. Eu ia para a escola o dia inteiro e trabalhava à noite. Era meio estagiário, estava auxiliando no que fosse preciso. Fiquei um ano nessa, o Cosí fechou e o chef Laurent resolveu me contratar como cozinheiro.

Conseguiu o que você queria, então!

Sim. Eu fiquei mais de um ano trabalhando com ele. Era tipo o cozinheiro do Laurent. Ele dizia que eu teria que ficar dois anos e meio com ele para aprender tudo o que um cozinheiro precisa aprender. Quando acabou esse meu tempo, ele perguntou: “Ravi, você pode escolher para onde você quer ir. Qualquer lugar no mundo!”. E eu respondi que queria trabalhar com o Daniel Boulud em Nova York. Ele ligou para o Daniel, eu fiz uma entrevista com ele e ficou acertado que eu começaria em agosto, para dar tempo de resolver os documentos.

Mas você não foi para Nova York.

Foi um dilema na minha vida, porque naquele momento eu tive oportunidade de abrir meu próprio negócio e era naquela hora ou nunca. Ou eu ficava em São Paulo e abria meu negócio, ou ia para Nova York e não era remunerado. Se eu abrisse meu negócio eu ganharia independência, juntaria dinheiro para me virar. Porque até então, eu vivia com ajuda dos meus pais, comia miojo todos os dias, não tinha dinheiro para almoçar e nem para jantar fora.

Então, eu resolvi ficar e abrir um negócio de paletas mexicanas com meus amigos que moravam comigo. Um ano depois que abrimos a sorveteria, ganhamos o prêmio de melhor sorveteria de São Paulo. Chegamos a ter oito lojas, até na Oscar Freire que é a rua mais cara de São Paulo. O negócio acabou diminuindo, porque todos esses lugares de paletas foram fechando, assim como abriram, fecharam todos de uma vez. E eu resolvi investir no poke.

Foi por causa do poke que os caras do MasterChef me ligaram. Eu já tinha me inscrito no primeiro Master, mas não tinha passado. Falaram para eu me inscrever de novo. São várias etapas para conseguir ser selecionado para o programa, e eu fui passando.

Bom, apesar de estarmos muito curiosos, nós não podemos perguntar mais sobre o Masterchef, então vamos sair de território perigoso para um mais tranquilo.

Tudo bem. Vamos.

O que você mais gosta de comer?

Tomate.

Puro assim mesmo?

Eu como tomate todo o dia na minha vida. Molho de tomate, salada de tomate, qualquer coisa com tomate.

E o que você mais gosta de comer em Curitiba?

Comer no Madalosso. Domingo na casa da minha vó. E tem o Shawarma, claro.

Qual a sua personalidade na cozinha?

Bravo.

Um prato que você prepara que te traz nostalgia?

Miojo.

Hoje você melhorou o preparo do miojo?

Ah, melhorou! Agora dá pra por um requeijão e um milho em lata (risos).

Por último, o que você mais gosta sobre cozinhar?

Eu gosto da rotina do restaurante, que é pauleira. Quando acaba o serviço é a sensação de dever cumprido. A adrenalina que dá quando você está cheio de comanda pela frente e não pode atrasar nada.

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COMENTÁRIOS
  • Me adota? 😬
    Também sei fazer miojo...

  • Uma injustiça sua eliminação no MC. Esse troféu deveria ser seu. O programa perdeu seu melhor competidor.

  • UM esemplo de superação

  • Todos comencá do porão, e que tem sorte ,da escolas renómadas, só falo una coisa a esse jovem cozinheiro, humildade e pazienza são virtude essenciais para chegar lá, e não são grandes nomes da gastronomia que pode decidir o teu futuro.Seja vc mismo, e de vez em quanto abaixar a cabeza e bom..Boa sorte na tua longa viajem..