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O Pad Thai mais gostoso do sul do mundo é de Curitiba

5 de janeiro de 2017

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Nicole Hauer revela os segredos do prato mais tradicional tailandês e conta como aprendeu

Ela não é chef, nem cozinheira. Não comanda nenhum restaurante famoso. Ainda assim, assina um dos Pad Thai mais disputados da cidade. Nicole Hauer é uma inventora de moda. Há 13 anos, em uma de suas viagens pelo mundo, conheceu o tradicional macarrão de arroz tailandês, e hoje chega a fazer mais de 10 tachos por mês – só quando está afim, afinal, a cozinha é apenas um hobby –, na casa de amigos, em eventos, para a família e para si mesma, claro. Até para o governador do Paraná e para o vice-prefeito de Curitiba ela já preparou um banquete oriental.

Essa história começou em 2004, durante sua lua-de-mel, quando passou pelo Reino da Tailândia, entre outros países do sudoeste asiático. Foi ali que a paixão pelo Pad Thai desabrochou: amor à primeira garfada. E foi assim, inventora de moda do jeito que é, que a Nicole, três anos depois, se “enfiou” na cozinha de um dos restaurantes onde havia comido a iguaria. Ela foi direta: “Quero aprender a fazer o Pad Thai e só saio daqui quando aprender. Pode ser?”. A cozinheira, prontamente, concordou.

Conheça os detalhes sem pimenta desse hobby com cara e gostinho de business de verdade.

Foto: Facebook pessoal

Seu primeiro contato com a culinária tailandesa foi em 2004, na lua-de-mel. Conta isso pra gente.

Quando eu cheguei lá, me apaixonei pela comida. Eu nunca tinha experimentado, até porque acho que nem tinha em Curitiba restaurantes asiáticos. Até hoje tem poucos. Daí, quando eu provei, pensei: “gente, é isso o que eu quero pra minha vida. Quero comer isso todo dia!”. O Pad Thai é um dos únicos pratos em que não vai pimenta. Então, cai no gosto das pessoas. É o feijão com arroz deles, o carro-chefe da culinária tailandesa. Até experimentava outros pratos, mas o Pad Thai… me apaixonei. Eram 3 dias de Pad Thai e daí pedia outra coisa, 3 dias de Pad Thai e outra…

E de todos esses, você percebeu uma variedade ou eram todos parecidos?

A forma de fazer não muda muito. Vejo em algumas revistas receitas com pimenta dedo-de-moça. Não, não é apimentado, na Tailândia não tem isso. Acho que essas com dedo-de-moça o pessoal inventou (risos). Os que eu vi lá não tinha. O que eu faço não vai pimenta, é cítrico, e é com o macarrão de arroz tailandês mesmo. Vai peito de frango em cubinho e camarão selados, que são as proteínas, e os vegetais: cenoura, cebolinha verde, alho poró e broto de feijão. A última parte é uma salpicada de amendoim granulado e um “chorinho” de limão.

E combina com o quê?

O tailandês toma muita cerveja, mas dá pra acompanhar com vinho, perfeitamente, como um Pinot. E é um prato único, não tem acompanhamento.

Tá, mas continuando. Aí você resolveu aprender a receita.

Sim, eu pensei: “preciso aprender, porque agora como eu faço? Vou chegar em Curitiba e não vai ter restaurante tailandês pra eu matar a vontade. Vou aprender pra mim”. Aí fiz um curso de culinária no Vietnã  então também aprendi alguns pratos vietnamitas , mas na segunda vez que fomos pra Tailândia, em 2007, numa ilha chamada Ko Tao, meu marido foi mergulhar e eu tive a ideia: “vou voltar naquela senhora que fez aquele Pad Thai maravilhoso!”. Era um restaurante micro, com quatro mesas, naquela ilha pequenininha, que tinha o melhor Pad Thai de todos.

E aí?

Cheguei lá e falei que queria aprender o Pad Thai. A mulher do restaurante, me achando meio louca, falou que tudo bem. Fiquei das 11h às 15h da tarde na cozinha dela fazendo Pad Thai. Daí peguei o jeito dela, o que vai primeiro, a forma como ela faz: abaixa o fogo, levanta o fogo, o que põe antes, o que não põe… E ela ainda disse: “mas eu não tenho dinheiro pra te pagar”. Imagine! Eu é que tinha que pagar pelos ensinamentos, né? Era uma pessoa muito simples, mas foi o melhor Pad Thai que comi. Fiz um curso também em Bangkok, que ensinava o Pad Thai, mas o daquela mulher…

Quando você voltou, começou a fazer em casa, pra família?

Na época, aqui em Curitiba, faltavam os ingredientes. Então, eu encomendava de São Paulo. Nessa época, fazia, por exemplo, no aniversário do Leonardo (marido), da minha sogra, do cunhado… Mas a tradição começou mesmo com o “Pad Thai dos Amigos”, no Carnaval em Caiobá, há uns 5 anos. Era um encontro de quem tinha ficado em Caiobá, porque não tinha o que fazer, então a gente se reunia na casa de um amigo, cada um levava sua bebida, e a gente dava a estrutura e a comida. Começou com 40 pessoas, foi pra 60, 80. Aí ficou o “Pad Thai dos Amigos”. E na época já tinha as redes sociais, então, todo mundo gostava, usava a hashtag #padthaidosamigos. Foi assim  que o Pad Thai ficou mais conhecido.

Foto: Facebook pessoal

E tem até hoje?

Teve um ano que chegou a 100 pessoas na lista. Mas aí a gente cortou. Eu já não me divertia mais. Eu fazia um tacho, colocava na mesa e o pessoal comia. Tinha que voltar correndo fazer o segundo tacho, que dava para umas 45 pessoas. Mas aí eu tinha que voltar fazer o terceiro. Até dois, tudo bem, mas com o terceiro, nem colocando o fogão no meio, cozinhando junto com as pessoas… eu nem via a cara dos convidados. Era muito empenho. Então perdia a essência, que era estar com os amigos. Até que uma amiga nossa, no ano passado, puxou o “Pad Thai dos Amigos” para a chácara dela, e voltou a ser para 60 pessoas, como no início.

Mas como você começou a fazer “pra fora”?

Eu tenho um grupo de 12 amigos que cozinham, cada um, num mês do ano, e acabou que eu fui sorteada em novembro, em 2015, e eles pediram Pad Thai: “ah, faz tempo que você não faz… faz pra gente”. Aí fiz e o Arthur Jucksch, um amigo meu, que tem um Instagram de dicas de culinária chamado Gourmetips, postou um videozinho, eu fazendo o Pad Thai ali com todo mundo, umas 12 pessoas. Só que eu e o Arthur temos muitos amigos em comum. Aí, quando eles viram, incendiaram de comentários pedindo o “Pad Thai dos Amigos”. Nisso, despertou também a curiosidade dos que não conheciam, que são seguidores do Gourmetips, e que queriam conhecer.

Foto: Facebook pessoal

Aí você viu a oportunidade…

É, o Arthur me mostrou, ali na hora, uns 30 comentários dizendo: “mas onde é?”, “também quero!”, “ela faz em casa?”, “tem restaurante?”… Daí ele só falou: “Nicole, você tá perdendo dinheiro, você podia fazer pra fora. Você uma pessoa supercomunicativa, que gosta de sair, de conversar. Já pensou? Podia fazer um ‘chef a domicílio'”. Gostei da ideia e falei: “posta aí pros seus seguidores, que também vou postar no meu Face, que a partir de amanhã eu faço a domicílio. Podem me chamar!”. Só não trabalhei no domingo porque não quis, mas logo depois disso trabalhei todos os dias, de segunda a sábado. Uma loucura.

Posta aí pros seus seguidores, que também vou postar no meu Face, que a partir de amanhã eu faço a domicílio. Podem me chamar!

Imagino. E sem falar que esse não é o seu trabalho principal…

Simmm. Acordava às 6h da manhã, ia pra academia às 6h30, trabalhava das 8h30 às 18h, pegava as crianças, chegava em casa, minha funcionária me ajudava a picar os ingredientes, deixava tudo meio prontinho, e às 19h30 ia pra casa da cliente. E era fim de ano, então tinha muita festa, amigo secreto, confraternização… todo mundo queria.

Agora diminuiu o ritmo?

Não estou toda noite na rua, mas minha média anual foi oito por mês. Em dezembro, quase toda noite. E em janeiro, que vou ficar na praia, vou relembrar os pratos que nunca mais fiz. E, além do Pad Thai, tem o Nasi Goreng, que também faço, um prato de arroz, levemente picante, um agridoce.

Foto: Facebook pessoal

Quer experimentar o Pad Thai da Nicole?

Reúna uma turma de 10 pessoas e clique aqui pra falar com ela! E não se preocupe: seus amigos podem ser intolerantes à lactose, alérgicos, vegetarianos ou em dieta, pois o Pad Thai tem praticamente zero de gordura, não tem glúten e pode ser feito na versão sem frango e sem camarão.

Se quiser tentar em casa, aprenda uma receita de Pad Thai aqui.

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