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O que é que a (comida) baiana tem?

19 de julho de 2017

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Saímos em busca de um tesouro: comida baiana de verdade nas terras geladas de Curitiba

Encontrar comida baiana em Curitiba não é tão simples quanto parece. Porque fazer com que ela sobreviva fora de seu habitat natural é uma proeza que poucos têm sucesso. Por isso, fomos perguntar a quem realmente entende do assunto. Andrea Mota, ex-diretora do grupo O Boticário, é baiana de nascimento e morou em Curitiba por quase 15 anos.

Ela contou pra gente que cozinha muito em casa, mas que, quando sente saudades de um bom acarajé, é atrás da baiana das feiras que ela vai. “A família inteira trabalha com ela. A mãe é arrimo de família e criou todos fazendo comida baiana e acarajé nas praças”.

Com essa pista em mãos, partimos para as feirinhas. Encontramos as irmãs Érica e Danila Vargas, as responsáveis pelo Pedacinho da Bahia, aquela barraquinha que todo curitibano provavelmente já viu nas praças da cidade. As duas assumiram os negócios que a mãe trouxe de Salvador no início da década de 1990. Hoje, elas são o ponto de encontro entre baianos saudosos do gostinho de casa e curitibanos que gostam do tempero da Bahia.

E o que, afinal, a comida baiana tem?

Tem frutos do mar, pimenta, leite de coco e muito azeite de dendê. “A Bahia cheira a dendê”, conta a chef Érica. O preparo da comida baiana tem uma arte própria, e, pra fazer direito, não basta ser da Bahia ou ter receita de acarajé na ponta da língua. Só arrasa no uso do azeite de dendê quem tem o talento. Inclusive, o ofício das Baianas de Acarajé já foi até reconhecido como Patrimônio Nacional Imaterial.

A maioria dos ingredientes e pratos da gastronomia baiana estão relacionados às culturas africanas que aportaram no Brasil na época da escravidão. O acarajé, por exemplo, é comida sagrada para algumas religiões afro-brasileiras.

Mas nem só de acarajé vive a Bahia. “Tem muita comida que ninguém nem conhece”, explica a chef.  A lambreta e o caldo de sururu, por exemplo, são pratos afrodisíacos comuns nos restaurantes baianos, porém que raramente cruzam a fronteira para o sul. Na barraquinha de Érica, o foco é o acarajé mesmo. Mas aos sábados, ela faz um bobo de camarão e moqueca de peixe para quem almoça ali na feirinha da rua Carneiro Lobo, no Batel. De sobremesa ainda tem cocada, balas de coco e bolinho de estudante, um bolinho frito de tapioca, coco e canela.

Para se manter fiel às origens, Érica importa seus principais ingredientes da Bahia. Nas viagens que faz ao Nordeste, aprende cada vez mais sobre a culinária lá de cima. Tudo isso pra poder afirmar com gosto: “não tem ninguém que venda comida baiana como a minha em Curitiba”.

Se depois desse papo todo te deu vontade de experimentar o tempero dessas baianas, olha só onde encontrar o Pedacinho da Bahia:

Pedacinho da Bahia

Batel
Terças-feiras, 17h às 22h, na Feira Noturna da rua Dr. Alexandre Gutierrez
Sábados, 12h às 20h, na Feira da rua Carneiro Lobo

Água Verde
Quintas-feiras, 17h às 22h, na Feira da rua Prof. Brasílio Ovídio da Costa

Hugo Lange
Quartas-feiras, 17h às 22h, na Feira da rua Pres. Rodrigo Otávio

Champagnat
Sextas-feiras, 17h às 22h, na Feira da Praça da Ucrânia

Largo da Ordem
Domingos, 10h às 15h, na Feira do Largo da Ordem

Na barraquinha, os preços variam entre R$ 15 e R$ 35. Para encomendas, é só ligar no (41) 99928-1832.

E se você quiser se arriscar na cozinha, prepare a receita de acarajé com recheio de camarão defumado e pimenta de acarajé que a Érica compartilhou com a gente e capriche no Dendê. 😉

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COMENTÁRIOS
  • não da pra dispensar comida bahiana...

  • Elas são demais, Yago! Parabéns! :)

  • Essas minhas tias arrazão, comida baiana em Curitiba não tem igual 😍😍😍

  • E é graças a essa extraordinária chef baiana ,que nossa Bahia está sendo compartilhada, e assim mantendo viva a nossa culinária rica em cultura ,história e beleza .Parabéns chef Vargas