Onde tomar cerveja artesanal em Maringá, por Renata Mastromauro

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BTH. Foto: Facebook BTH

A cerveja artesanal entrou na minha vida há cerca de seis anos. Acompanhando o marido que faz cerveja em casa, comecei a me interessar e me apaixonar pelo amargor do lúpulo, pelo dulçor do malte e pelas inúmeras possibilidades que as leveduras podem conferir a cada estilo de cerveja.

Por coincidência – ou não –, foi também nessa mesma época que os pioneiros da cerveja artesanal em Maringá começavam a dar as caras. No fim de 2012, surge a Araucária, produzindo cerveja fresca para abastecer torneiras locais e engarrafando rótulos premiados para distribuição em outras cidades; e em 2014 nasce a Cathedral, que com apenas quatro anos de história levou o título de Cervejaria do Ano no 10º Festival Brasileiro de Cerveja Artesanal, realizado em março de 2018 em Blumenau (SC), pelas 15 medalhas conquistadas no concurso. Até a Eden Beer, fundada um pouco antes da “gourmetização” da cerveja e que sempre focou na produção de chope em larga escala, expandiu os negócios em 2015 e passou também a engarrafar diferentes receitas, feitas com insumos mais selecionados.

Com essas três cervejarias, o maringaense pé-vermelho passou a conhecer um mundo muito mais saboroso e intenso, e o melhor: fazendo girar a economia local. De acordo com o presidente do Núcleo das Cervejarias de Maringá (Nucem) e sócio da Araucária, Rodrigo Frigo, o crescimento do setor é expressivo: a cidade tem hoje 13 cervejarias (o número praticamente dobrou no ano passado!) e quatro brewpubs, que produzem 200 mil litros por mês, e outros 15 bares especializados em cerveja artesanal.

Selecionei nove casas que reúnem ambiente bacana, boa comida e as melhores cervejas que você poderá tomar no interior:

BTH – Beaver Tap House

Enquanto todo mundo estava fazendo hambúrguer, o BTH surgiu com uma nova proposta: o american barbecue. Abusando das defumações, o cardápio apresenta sanduíches de cortes bovinos e suínos, como o Pulled Pork e o Brisket. Uma vez por mês, aos sábados, uma grande churrasqueira com defumador, a smoker, é colocada na calçada em frente ao bar para o “American BBQ Day”, quando são servidas porções de churrasco tradicional americano. De suas 10 taps, metade é dedicada à produção de cerveja local, enquanto as outras giram entre marcas de outras cidades do Paraná e de estados próximos, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Pça. Rocha Pombo, 248 (Zona 1)
Terça a sábado, 17h à 00h
Domingo, 10h à 14h

Cathedral Fábrica Bar

Sua inauguração, em 2016, marcou uma nova postura da cervejaria: a partir de então, as cervejas não seriam mais engarrafadas. No bar da fábrica, os clientes podem provar 16 criações da melhor cervejaria do Brasil, com tonéis e fermentadores como pano de fundo. Outro destaque da decoração é um grande vitral colorido, que remete ao principal ponto turístico da cidade, a Catedral. Entre as mais de 100 receitas já produzidas e 21 estilos premiados, as mais pedidas são a IPA, a Yellowspício e a Belladona. Do cardápio de hambúrgueres, porções e petiscos de boteco, a alcatra salteada no tarê de cerveja, acompanhada de um pão italiano recheado de creme de gorgonzola e nozes, é o hit.

Av. Dr. Alexandre Rasgulaeff, 5733, Jardim Real
Terça a quinta, 18h à 1h
Sexta e sábado, 18h à 1h30
Domingo, 18h às 23h

Cathedral Sports Bar

Idealizado para os fãs de esporte, há 30 telas com transmissões simultâneas, que exibem desde o popular futebol até competições de hóquei. As oito torneiras são abastecidas pelos grandes sucessos da Cathedral, e há uma boa carta de drinques para quem quer variar. Além do cardápio de petiscos, hambúrgueres e porções, há ainda opções de pratos executivos no almoço, já que o bar fica em uma movimentada avenida no coração da cidade.

Av. XV de Novembro, 170 (Zona 01)
Quarta-feira a sábado, 11h à 1h
Domingo, 11h às 23h

Catraca Cerveja & Bike

A inusitada mistura de bike e beer é o mote do Catraca, um bar que incentiva em seus clientes o hábito de pedalar. O primeiro bar da cidade dedicado à cerveja artesanal, o Pintxos, funcionava no lugar, e desde que fechou suas portas, deixou muitos órfãos. O Catraca surgiu em 2017 para continuar a vocação cervejeira desta esquina. Há estacionamento para bikes e uma estação de auto-serviço para encher pneus, além de itens para casos de emergência. Há cervejas regionais e locais nas torneiras, além de rótulos de diversas marcas em garrafas e, no cardápio, hambúrgueres, sandubas, porções e linguiças artesanais.

Av. Mauá, 2701 (Zona 1)
Terça a quinta-feira, 18h à 00h
Sábado, 18h à 1h
Domingo, 18h à 00h

Empório Lima

Neste misto de empório e bar, as geladeiras com centenas de rótulos coloridos fazem parte da decoração – e apenas marcas nacionais entram aqui. O clima de mercearia é reforçado pelos azulejos brancos e pretos no balcão e na fachada, e o atendimento cuidadoso, muitas vezes feito pelo próprio dono, Marcelo Lima, conferem um ar familiar ao local. É ele que, aos sábados, monta a pit smoker na calçada e assa costelinhas de porco com lenha de goiabeira. Nos outros dias, o carro chefe do cardápio é o bolinho de linguiça Blumenau recheado de queijo.

Av. Juscelino Kubistchek, 1528 (Zona 2)
Segunda a sexta-feira, 17h às 23h45
Sábado, 13h às 20h

Haka

Os amigos de infância Bruno Rocha e Paulo Catto transformaram a paixão por cerveja em negócio. Em um galpão antigo na tradicional Vila Operária, tubos aparentes e um lindíssimo balcão de madeira bruta reforçaram o ar industrial dessa charmosa esquina. Todo o cuidado que tiveram no projeto transparece também no atendimento: os sócios são sommeliers de cerveja e dão dicas de harmonização para os clientes. A grande atração é a câmara fria e as dez torneiras que saem direto dela, a maioria delas abastecidas por receitas próprias. Há sempre um foodtruck ou um cozinheiro convidado aprontando alguma coisa diferente no quintal. Há também grandes rótulos em garrafa e lata.

Av. Paissandú, 805 (Vila Operária)
Quinta a sexta-feira, 18h à 00h,
Sábado, 15h à 00h

Horus

Dos irmãos Mairon e Jules Sacchi, foi inaugurado há pouco mais de seis meses. Os equipamentos novinhos em folha brilham e chamam atenção de quem adentra o grande salão, que tem a fábrica como cenário. Dali, saem oito produções próprias direto para as torneiras, que ainda abrem espaço para criações de amigos e até de grandes cervejarias, como Goose Island e Tupiniquim. Receitas como panceta com molho de goiabada fermentado e costela no sous vide revelam a veia contemporânea da cozinha.

Rua Néo Alves Martins, 1552 (Zona 01)
Segunda a sábado, 17h30 à 00h
Domingo, 16h à 00h

Matriarca Pub

A fachada preta e a imponente porta vermelha logo anunciam o estilo do lugar. O Matriarca remete aos pubs ingleses, com um belo balcão de madeira avermelhada, confortáveis cadeiras e sofás. Tudo bem escurinho e aconchegante, como deve ser. Nas torneiras, produções locais e regionais, e em garrafas e latas, as mais famosas cervejas do mundo, com destaque para o time de inglesas da Fullers. A boa cozinha é marca da casa: porções de carnes, burguers e bruschettas fazem sucesso. Aos sábados, serve café da manhã no estilo inglês e, depois, uma brasileiríssima feijoada no almoço.

Rua Arthur Thomas, 855 (Zona 1)
Segunda a sexta-feira, 17h à 00h
Sábado, 10h30 à 00h

Sumério

São nada menos que 30 torneiras e 150 rótulos para fazer a felicidade dos cervejeiros da Cidade Canção. O bar mais antigo desta lista aposta em ícones da cerveja artesanal nacional, como Dogma, Bodebrown, Morada e Bastards, e importadas famosonas como Delirium e Brooklyn. A cerveja local também encontra espaço aqui: criações da Araucária e RedCor estão sempre à disposição. Frequentemente aos sábados, eventos cervejeiros como o “IPA Day” lotam o gramado ao som de rock’n’roll. O destaque do cardápio são os ótimos burguers e hot dogs, novidade da casa.

Av. Bento Munhoz da Rocha Neto, 717, Zona 7
Segunda a sexta-feira, 17h30 à 1h
Sábado, 13h à 1h
Domingo, 17h30 à 1h

Renata Mastromauro é jornalista e, por três anos, rodou o Brasil como repórter do saudoso Guia 4 Rodas, onde teve as melhores – e piores! – experiências gastronômicas da vida. Siga no Instagram: @remastromauro

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8 COMENTÁRIOS

  1. Que pena a Holy Hops ficar de fora da lista!
    Exclusivos em encher Growler na contra pessoal, pioneiros no sistema de autosserviço e únicos em muitas cervejas exclusivas que nenhum outro bar tem. São parceiros da Bodebrown, inclusive.
    Uma pena!!

  2. Uma Matéria dessas e faltou a melhor: a HolyHops ! Aliás… a Holy, merece uma matéria Exclusiva porque eles sim entendem de cervejas especiais e exclusivas

  3. Excelente matéria, mas faltou comentar sobre a Holy Hops, Mestre Cervejeiro e o Sabores do Malte que tem várias torneiras com ótimas cervejas locais e da região.

  4. Oi, gente! Obrigada pelos comentários. A Holy Hops e a Mestre Cervejeiro são maravilhosas, mas não investem em cozinha, por isso ficaram de fora desta lista. Conforme escrito acima, matéria foi dedicada às casas que têm, além de boas cervejas, um cardápio bacana.

  5. Matéria no mínimo com título errado, tendo em vista que deixou duas das casas com maior diversidade de rótulos de fora, (Holy Hops e Mestre Cervejeiro) uma breve visita aos bares cervejeiros antes de escrever as matérias se faz necessária, diversos erros em relação aos bares mencionados

  6. De fato, faltaram HollyHops, Mestre Cervejeiro e Sabores do Malte. Falar um pouco mais sobre. RedCor não faria mal. Mas ficou bacana a matéria.

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