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Que geração é essa?

7 de fevereiro de 2016

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Eles querem ser reconhecidos antes de trabalhar, querem ser chefes antes de ser subordinados

Quem é esse cara? Quem é esse cara que aparece procurando emprego, te seduz com um currículo bonitinho, marca pra começar a trabalhar no dia seguinte, e nunca mais aparece ou atende o telefone? Quem é essa garota que assiste fascinada à dureza do chef Gordon Ramsay tratando seus subordinados aos gritos na TV, que sonha em um dia participar daquele reality show, e que se revolta como uma vítima frágil e indefesa quando leva um puxãozinho de orelha de seu superior? Quem são eles, que somem do serviço por motivos banais sem dar qualquer satisfação? Que tratam o patrão com desprezo e arrogância, como se fizessem um favor de serem funcionários?

Essa é a pergunta que todos os empresários ou líderes estão se fazendo nos dias de hoje. Não são só eles: muitos dos próprios colegas de trabalho desses “profissionais modernos” também estão. Quem são eles? É a pergunta que eu faço a mim mesmo já faz um tempo. Atribuo esse distúrbio à combinação de alguns fatores:

1: A geração Y – nascidos entre 1975 e 1995.

Filhos de pais que deram muito de tudo e pouco de educação. Sabe aquela criança mimada que acha que pode tudo? Que quando a professora briga com o filho o pai briga com a professora, em vez de continuar educando o filho? São eles! Gente que se ofende por qualquer coisa e culpa o mundo por suas frustrações. Gente que acha que pode realizar seu sonho a qualquer momento, sem precisar “correr atrás”. Pessoas que sabem apontar o dedo pro outro, mas são incapazes de olhar pra dentro de si mesmas; que acham que o trabalho deve ser uma extensão da sua casa e “se nem meu pai falava assim comigo, quem meu patrão pensa que é pra fazer isso?”. Uma geração que quer ser reconhecida antes de trabalhar; que quer ser chefe antes de ser subordinada; que quer ganhar bem sem oferecer nada em troca. Ficam os que realmente precisam, os que têm conta pra pagar e família pra sustentar. São esses que acabam construindo uma carreira, enquanto aqueles que vivem em busca do “emprego dos sonhos” evaporam sem deixar vestígios. São os eternamente insatisfeitos.

2: A paternalista legislação.

Nenhum gênio precisa dizer o que todo mundo sabe: a legislação trabalhista do Brasil é atrasada, engessada, e vai contra o crescimento econômico do país. Isso é fato. Um bom exemplo disso é o “seguro-desemprego”. Funciona assim: pra receber a boladinha monetária o funcionário deve ser demitido. Se pedir a conta, perde o direito. Isso serve pra que não exista uma enxurrada de pedidos de demissões voluntárias pra levantar dinheiro. O problema é que ele tem sido uma das maiores ameaças para o clima dentro das organizações. Como? Assim: o funcionário resolve que precisa de dinheiro e lembra do seu “seguro-desemprego”. Então, ele chega para o patrão e diz que quer sair, mas, ao invés de pedir a conta, pede que o demitam. O famoso “acordo”. Como a empresa paga multa de 50% sobre a rescisão (outra ferramenta para inibir demissões) e não pretende demiti-lo, o chefe diz que não concorda. É aqui que começa a tortura. O bendito funcionário, para pressionar o acordo, passa a trabalhar sem vontade, chegar atrasado, atender mal os clientes, faltar sem justificativas, etc. Qual é a alternativa da empresa? Aplicar advertências até chegar a uma justa causa. Caro leitor, num país com uma legislação altamente protecionista como o Brasil, você já parou pra pensar no desgaste de aplicar advertências e dar uma justa causa? Nesse tempo você perderá diversos clientes e terá seu clima organizacional contaminado por uma “maçã podre”. Por outro lado, se você cede e faz o acordo, seu ambiente de trabalho entrará num círculo vicioso sem volta, vítima da ganância e da falta de comprometimento dos seus funcionários. Um beco sem saída.

O bendito funcionário, para pressionar o acordo, passa a trabalhar sem vontade, chegar atrasado, atender mal os clientes, faltar sem justificativas.

3: As bolsas.

As pessoas que se satisfazem com o salário dado pelo governo são cartas fora do baralho. Vários destes, que teriam potencial para trabalhar, não querem nada da vida: basta acordar, comer, dormir e procriar. Pra que mais? Eles têm razão! Pra que mais?! Mas volta e meia aparece um desses filhos da pátria que se animam e resolvem pedir emprego (não trabalho, emprego), mas sem ter a carteira assinada, já que isso cortaria a mamata do Bolsa Família. E o empresário responde: “Não, sem registro não aceitamos.” Menos um para trabalhar; mais um pra dar de mamar.

Eu sou um cara otimista. Não faz muito tempo eu fiz um artigo criticando empresários com o hábito de dizer que “a mão de obra é uma merda”. Eu tenho muitos funcionários admiráveis. Pessoas incríveis que posso chamar de parceiros e vice-versa. Gente por quem sinto imensa gratidão. É por eles que eu trabalho. Agora, dizer que a mão de obra dos dias de hoje é boa é pura inocência. O que temos visto por aí não merece nota 5. O intrigante é que, neste cenário, parece tão fácil se destacar… e tão poucos têm conseguido.

Texto publicado originalmente na Revista Tutano em fevereiro de 2015
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