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Roteiro gastronômico fora do centro de Curitiba

6 de maio de 2016

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André Bezerra, organizador do “Comida di Buteco”, sugere os melhores lugares para comer em três bairros da capital

Quando a Revista Tutano me convidou para escrever um roteiro gastronômico para a seção On The Road, logo pensei no Sal Paradise e no Dean Moriarty pegando carona em automóveis e vagões de trem para cruzarem os Estados Unidos e o México. Confesso que fiquei preocupado. Na verdade, o destino que a Tutano propunha era outro: Curitiba. O Beto e os editores da Revista queriam que eu percorresse a periferia da capital paranaense. Minha missão era encontrar bons botecos pelos bairros da cidade, fora do eixo Centro-Batel-Alto da XV-Juvevê.

Sou organizador local do concurso de cozinha de raiz “Comida di Buteco”, mas eu queria um roteiro inédito. Reuni caneta, moleskine, máquina fotográfica e saí pelas ruas que nos levaram a três botecos em bairros diferentes. Como viajante de respeito, eu queria conhecer as comunidades locais, as pessoas que nelas vivem, trabalham e, naturalmente, as cozinhas locais. Conclusão: sim, é possível viajar pela própria cidade e descobrir roteiros, hábitos e agradáveis surpresas a partir de um olhar de quem está de fato na estrada, como um aventureiro no estilo dos próprios Jack Kerouac e Neal Cassady, em seus personagens imortalizados na obra “On The Road”, do Kerouac.

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São Braz – Dom Rodrigo

Vizinho de uma daquelas cantinas que se estabeleceram na porção italiana de Curitiba, se você for procurar pela placa do boteco, vai chegar a Campo Largo e não terá encontrado. Não há placa indicando o Dom Rodrigo. Portanto, coloque o endereço no GPS ou procure pela esquina da Toaldo Tulio com Domingos Della Bona. Vai avistar a varanda da casa, normalmente repleta de gente. Terça e quinta-feira são os dias de maior movimento.

Mesmo ponto onde já foi o “Bar do Tino”, o Dom Rodrigo está ali desde 2001. Pertence ao Rodrigo e sua esposa, Ledi. Quase todo mundo entra chamando: “Fala, Rodrigo!”. Ele está ali, atrás do balcão. O Rodrigo na chapa e a Ledi no caixa. O controle é feito em um caderno onde ela anota à mão, soma na calculadora e sai rabiscando caderno afora. No Dom Rodrigo, o balcão é o melhor lugar para conversar com o casal e ficar de olho no que está sendo preparado na chapa quente: pão com bife, pastéis e petiscos sensacionais. Os molhinhos também são coisa de outro mundo. Bem ali, no São Braz.

De segunda a sexta o cardápio vai sendo revezado conforme o dia. Segunda tem bolo de carne e pão com bife, que é o carro-chefe da casa. Se for optar por ele, vá com fome. O recheio vem no pão francês e consiste em um bife dos grandes, queijo e verde, tudo preparado na chapa pelo Rodrigo. Tem o dia da carne de onça e porção de siri. A carne de siri é extraordinária. Sobre o prato vem uma bela quantidade desfiada, bem temperada, quentinha e acompanhada de torradas ou fatias de pão francês, manda o cliente.

Também tem pastel de camarão e bolinho de bacalhau. O pastel vem repleto de camarão bem temperado. O bolinho de bacalhau é caprichado, crocante onde precisa ser, macio onde tem que ser e saboroso toda vida. O boteco ainda serve sanduíche de pernil e, às sextas, é a vez dos “aperitivos variados”, quando o Rodrigo e a Ledi vão à feira, escolhem o que houver de “mais bonito” e preparam no bar. Pode ser um peixe, frutos do mar ou o próprio pastel de camarão. O boteco é uma espécie de extensão da casa deles, então o casal vai te receber bem, repare no sorriso de criança do Rodrigo. Nos faz lembrar que quem vai ao bar ou dele vive não tem depressão.

Abre de segunda a sexta, das 18h à meia-noite.
Sábado e domingo não abre.
Av. Toaldo Túlio, 2275, São Braz.

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Parolim – Gruta da Onça

Boteco obrigatório no Parolim, a Gruta da Onça foi aberta pelo delegado Edgard Pochlopek, em 1984. De acordo com o Edgard, o nome é por causa do petisco principal: a carne de onça. Ainda segundo ele, muita gente já entrou lá intrigado sobre se o tira-gosto era preparado “com a carne do felino, do bicho mesmo?”. Ele conta essa história se divertindo. Existe uma grande varanda para a calçada, mas, dentro, o ambiente remete a uma taberna. Na Gruta os clientes mais antigos são amigos do Edgard, que recebe a clientela como tal. Mas ele também pode “virar uma onça”. Uma vez, ao flagrar um casal em meio a um beijo mais “saliente”, o Edgard não teve dúvida, disse que ali não era local para aquilo e intimou os pombinhos a irem namorar em outro lugar.

Da cozinha da Gruta da Onça saem pratos e petiscos de responsabilidade, tudo sob o olhar atento do Edgard. Além do prato que dá o nome à casa, tem a buchada cigana, rabada, porção de bolinhos de carne, de pierogi, moela de frango ao molho, a “rã pimenta” e o buchinho à milanesa. Uma pequena catedral para os botequeiros do tipo “romeiros”, bem no final da Rua Alferes Poli, perto das concessionárias da Marechal Floriano.

Abre de quarta a sábado, das 17h às 22h, religiosamente.
No almoço de sábado a feijoada na cumbuca é a mais tradicional do bairro. Das 11h às 14h.
Rua Alferes Poli, 3333, Parolim. Curitiba-PR.

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Vila Hauer – Petiscaria Big Fish

Trata-se de uma petiscaria na Vila Hauer, próxima das sedes administrativas dos bancos. A especialidade? Com esse nome, não poderia ser diferente: petiscos à base de frutos do mar.

A Casa pertence ao Luis Serpa e está no endereço há 5 anos. Antes funcionava em outro ponto, também na Vila Hauer, onde ficou durante 12 anos. O Luis Serpa também manteve a “Petiscaria Lá No Lulu”, em Caiobá, por 7 anos. Antes, lidou durante 45 anos com frutos do mar. Tinha um caminhão e transportava desde Laguna (SC) até Curitiba, onde distribuía nas quatro peixarias que manteve, duas delas dentro do Mercado Municipal. Essa experiência explica muita coisa. O Luis Serpa conhece o ofício. Feitas as apresentações, vamos para a cozinha. No almoço, diariamente, o Big Fish mantém um bufê onde serve filé de pescada e outras opções variadas a preço único.

A porção mais tradicional é a de camarão à milanesa. Também provamos a porção de isca de peixe em tiras crocantes e sequinhas. Depois seguimos mar adentro e fomos de deliciosos bolinhos de peixe. Chamamos o Luis à mesa para entendermos de onde vinha a receita. Da cozinha do Big Fish e, segundo ele, nossa pescaria não foi a melhor que poderíamos ter conseguido: “Meu filho, se você gostou dos bolinhos de peixe, precisa provar os de siri e os de camarão”. Tampouco poderíamos ter partido sem provarmos a porção de cascudinho. De mergulhar de cabeça. O Big Fish é uma daquelas pérolas que se encontram dentro das ostras no fundo do mar. Uma rodada de petiscos lá equivale a um dia feliz de praia.

O almoço é servido todos os dias, das 11h às 15h.
Rua Carlos de Laet, 1819, Vila Hauer. Curitiba-PR
(41) 3308-4709

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André Bezerra é diretor da Monstro Animal e trabalha com produção de eventos corporativos e culturais.
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COMENTÁRIOS
  • Os petiscos do Rodrigo são demais!