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Saiba tudo sobre os rótulos

20 de março de 2016

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Desvendando a rotulagem: o que há por trás das embalagens?

Só no Brasil, 15,8% da população foi considerada obesa em pesquisa da Universidade de Brasília de 2011. Outra pesquisa diz que cerca de 5 milhões de crianças no país sofrem de intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca. A polêmica vem quando a mesma legislação que regula a rotulagem de alimentos não obriga a indústria a informar, por exemplo, a quantidade de açúcar adicionado ou de alérgenos como leite, ovo, soja, amendoim e oleaginosas.

Mas, para não ficarmos apenas na questão de alergias e distúrbios alimentares, vamos dar um exemplo bem prático do dia a dia. Vamos lá, pode confessar: toda vez que você resolve enxugar a comilança diária para perder os quilos a mais, a primeira coisa que faz é começar a procurar alimentos com baixas calorias. E aí, pobre de você que ainda não aprendeu a ler os rótulos e deixa de ver que aquela barrinha de cereal light em calorias toda estilo saúde é cheia de xarope de glicose. Isso mesmo, caro leitor, açúcar.

Junte todas essas questões acima com a lei de Defesa do Consumidor e aí você entende por que esse cenário está mudando. É o que acredita a professora de Engenharia de Alimentos da PUCPR Márcia Rapacci, com quem conversamos para entender melhor essa ciência cabeluda da rotulagem de alimentos. “Eu acho que a legislação vem mudando por dois motivos: o consumidor está mais exigente, sim, viajando muito pra fora, buscando outros produtos; mas o Código de Defesa do Consumidor é o que fez a diferença. Como é uma lei, o não atendimento pode ser considerado crime contra o consumidor, passível até de prisão para os responsáveis. A indústria então começou a mudar, obedecer aos regulamentos”, analisa.

Para se ter uma ideia da mobilização de alguns grupos da sociedade aqui no Brasil, em 2014 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária abriu uma consulta pública para definir quais temas entrarão na sua agenda de trabalho neste e no próximo ano. A expectativa é de que essas e outras reivindicações ligadas ao tema entrem na pauta, tornando os rótulos cada vez mais claros, objetivos e de fácil entendimento aos consumidores. Bem, antes de saber onde isso vai parar, a Tutano traz pra você um diagrama bem mastigado de tudo o que os rótulos contêm de informação. Agora não tem mais desculpa, pelo menos ao grupo de leitores de rótulos de alimentos você já pode se juntar. A menos que você seja declaradamente um viciado em junkie food; neste caso, recomendamos continuar por fora, sem vergonha de ser feliz.

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Informações obrigatórias

A resolução RDC nº 259, de 20 de setembro de 2002, contém as regras sobre como devem ser os rótulos de alimentos embalados. Algumas informações não estão lá só para enfeitar, não. São dados obrigatórios de constar, seja na embalagem moderninha do iogurte grego da moda ou naquela farinha que você reconhece de longa data.

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1 – Lista de Ingredientes

Todos os ingredientes devem estar descritos aqui, em ordem decrescente. Ou seja, do que possui maior quantidade para o que possui menor quantidade. Isso quer dizer que, se o primeiro ingrediente do seu produto favorito é açúcar ou xarope de glicose, ele definitivamente não combina com o seu regime.

Para quem está ligado na alimentação saudável, a nutricionista Giovana Leiner dá a seguinte dica: quanto menos ingredientes o alimento contiver, mais natural e saudável é, pois tem menos ou nenhum químico. Sabe aquela velha briga entre a margarina e a manteiga? Leia atentamente a lista de ingredientes de cada uma e tire suas próprias conclusões.

Acidulantes: intensificam o gosto ácido ou azedo (ex.: ácido cítrico, ácido fosfórico). Podem também ter função de flavorizante ou conservante.

Emulsificantes, espessantes ou estabilizantes: têm a função de aumentar a viscosidade e estabilizar as emulsões (como a mistura de água e gordura), melhorando a textura dos alimentos (ex.: lecitinas e polissorbatos). Deixam o sorvete de pote fofinho, por exemplo.

Conservantes: aumentam a validade do alimento e previnem o crescimento de fungos e bactérias (ex.: ácido benzoico, ácido sórbico, nitrato de potássio).

Flavorizantes: conferem ou acentuam sabor e aroma (ex.: acetato de etila para sabor de maçã, metanoato de isobutila para sabor de framboesa). Podem ser naturais ou artificiais (que imitam os sabores).

Corantes: dão ou ressaltam a cor. Podem ser naturais (ex.: betacaroteno e clorofila) ou sintéticos (ex.: azul brilhante FCF).

Edulcorantes: são os adoçantes usados para dar sabor doce a alimentos dietéticos ou light em açúcar (ex.: aspartame, sacarina sódica, sorbitol, ciclamato de sódio).

Glutamato monossódico: este polêmico aditivo é usado como realçador de sabor nos alimentos.

2 – Lote e prazo de validade

O prazo de validade de um produto é outra questão que pode ser levada em conta na procura por alimentos saudáveis. Na opinião da nutricionista Giovana, quanto menor o tempo de prateleira de um alimento, isto é, quanto menor o prazo de validade, mais saudável ele é, pois contém menos conservantes. Já a professora de Engenharia de Alimentos da PUCPR Márcia Rapacci é mais cautelosa. Ela acredita que não é preciso ser tão radical, afinal, a indústria tem processos avançados – muitos deles, bastante custosos, como, por exemplo, o congelamento – que permitem conservar o alimento por mais tempo sem torná-lo prejudicial.

3 – Nome e endereço do fabricante

4 – Nome do produto

5 – Conteúdo líquido

6 – Identificação de origem

No caso de produtos fabricados fora do Brasil, as embalagens devem conter uma etiqueta colada com as informações de rotulagem obrigatórias por aqui.

Informação nutricional 

Essa área do rótulo é definida pela Resolução RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003. Aqui devem constar as informações sobre as propriedades nutricionais do alimento. É justamente aquela tabelinha para a qual poucas pessoas dão atenção, mas que dizem muito sobre o que você está comendo.

O que fica de fora dessas regras

Bebidas alcoólicas, especiarias, águas minerais, sal, chás, produtos in natura (frutas, vegetais e carnes), entre outros.

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL PORÇÃO 30G (1 FATIA)
Quantidade por porção %VD(*)
Valor energético 69 kcal = 287 kj 3
Carboidratos 1,0 g 0
Proteínas 5,0 g 7
Gorduras totais 5,0 g 9
Gorduras saturadas 3,0 g 14
Gorduras trans 0 **
Fibra alimentar 0 0
Sódio 160 mg 7
*% valores diários de referência com base em uma dieta de 2000kcal ou 8400 kj. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. **vd não estabelecido

1 – Porção

Essa é a quantidade do alimento que deve ser consumida, em média. Mas é na teoria, pessoal. Cadê o autocontrole para parar no primeiro punhado de castanhas?

2 – Medida caseira

Como a porção indicada ao lado é em gramas ou mililitros, a medida caseira tornou-se obrigatória para deixar a informação mais compreensível para o consumidor. Ou seja, quantas fatias, xícaras, unidades, etc. equivalem à porção indicada, usada como base para as informações nutricionais.

3 – Percentual de valores diários

Aqui diz o quanto aquela porção do alimento representa da necessidade diária de uma pessoa, usando como base uma dieta de 2.000 calorias. Agora, vale considerar sempre que essa dieta não é igual para todas as pessoas. Atletas, por exemplo, certamente têm uma necessidade diária de calorias bem maior.

4 – Valor energético

É a energia que nosso corpo produz proveniente dos carboidratos, proteínas e gorduras totais. Não se engane: alimentos podem ser diet em açúcar e ainda assim possuírem alto valor calórico.

5 – Nutrientes

O regulamento obriga a indústria a informar sempre a quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio. A temida gordura trans é encontrada principalmente em alimentos que utilizam gordura vegetal hidrogenada no preparo. Foi tão condenada que os alimentos sem essa gordura começaram a escancarar a informação nas embalagens. É bom saber, no entanto, que mesmo que o alimento tenha 0,2 g ou menos na porção usada como referência (medida caseira), ainda é permitido alegar que “não contém gordura trans”, por exemplo. O mesmo vale para alegações como “zero açúcar”, “sem sódio”, etc. Os valores mínimos variam e estão registrados na legislação, mas nem sempre isso significa que o alimento é fabricado 100% sem aquele ingrediente. Voltando à tabelinha, após os nutrientes mencionados acima, a tabela pode trazer ainda os valores diários de vitaminas, cálcio, ômega 3, etc. Mas são informações complementares, e não obrigatórias.

Quer saber mais sobre as leis referentes aos rótulos?

Leia: Idas e vindas nas leis de rotulagem

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