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Sou a favor do ser humano

20 de novembro de 2017

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Valorizemos as pessoas antes das máquinas

Me refiro aos serviços de restaurantes, panificadoras, alimentação fora de casa. Acho triste a substituição do homem pela tecnologia. Acho triste substituir um garçom por um computador que faz seu pedido, substituir a recepcionista por uma máquina que organiza a fila, ou as atendentes de caixa por autoatendimento. A tecnologia nos faz individualistas e solitários, mais do que já somos, mais do que gostaríamos de ser.

Lamento, mas nem percebemos que no lugar daquela máquina que cobra nossa conta havia uma senhora que nos sorria, nos dava bom dia, e dizia volte sempre. O garçom que te chamava pelo nome e brincava com seu filho virou um tablet que você mesmo opera enviando seu pedido para a cozinha. O humano está sendo sonegado.

Existem diversas razões para isso. Custos ligados à mão de obra é o principal deles: é mais fácil programar uma máquina do que treinar uma pessoa, sobre a máquina não há salário, não incidem impostos nem legislação trabalhista, máquinas não tiram férias, não faltam, não erram, não se alimentam, não pedem dinheiro emprestado e não brigam com o colega durante o expediente. Transformar gente em máquina é sonho de qualquer empresário. Para o cliente também é bom, por um motivo óbvio: custo. Qual cliente não quer pagar menos? Entre dois restaurantes idênticos o cliente vai preferir aquele que é 20% mais barato, mesmo que seja recebido, faça seu pedido e pague sua conta diretamente para um computador. Repito: acho triste.

Nem percebemos que no lugar daquela máquina que cobra nossa conta havia uma senhora que nos sorria, nos dava bom dia, e dizia volte sempre. O garçom que te chamava pelo nome e brincava com teu filho virou um tablet que você mesmo opera enviando seu pedido para a cozinha.

Lidar com gente é desgastante, desafiador. Mas não podemos desistir da gente. Nenhum iPad me olha nos olhos, nenhum touch screen me sorri, nenhum caixa eletrônico pergunta como foi meu dia. Eu não falo com máquina!

São essas pequenas coisas, essas pequenas relações do cotidiano, que nos fazem sentir vivos, humanos, carne e osso. Quero ser a resistência contra a tecnologia. Não quero perder a fé na humanidade, nem que isso dê muito trabalho. Porque o dia que virar tudo máquina, nada mais fará sentido.

1. Comparo com a indústria alimentícia e o fast food. Até um tempo atrás era o máximo poder comprar comida industrializada, barata, perfeitamente pronta na gôndola de um supermercado. Até um tempo atrás era fantástico ir em gigantes redes de fast food espalhadas por todas as esquinas (lembro até hoje que a inauguração do primeiro McDonald’s de Curitiba foi um evento social). Hoje as pessoas mais esclarecidas evitam os dois, porque perceberam que a indústria e a tecnologia são bem-vindas, mas tem limite. Hoje querem voltar ao orgânico, ao atendimento personalizado, e tem gente pagando muito por isso. Escrevi esse texto porque vejo que estamos “insistindo no erro” e continuamos querendo substituir o homem por máquina. Entendo que isso é ótimo e inevitável em algumas situações, mas acho que, se exagerarmos, lá na frente iremos, mais uma vez, tentar voltar atrás. Valorizemos as pessoas antes das máquinas.

2. Escrevi porque volta e meia aparecem vendedores de tecnologia que fazem interface com o cliente e eliminam o atendimento humano. Formei minha opinião faz tempo sobre isso. Cardápio em tablet, por exemplo, faz mais de 10 anos que querem me empurrar e faz mais de 10 anos que eu digo não. Acho que cardápio impresso diz muito mais sobre um restaurante, é muito mais simpático e personalizado. Tanto é que o tablet não vingou da maneira como deveria ter vingado, poucos restaurantes passaram a usar (graças a Deus). E esse exemplo não serve só para restaurantes. Li esses dias que os e-books não conseguiram substituir os livros de papel. Essa mensagem é clara! Tem fronteiras que, felizmente, a tecnologia não quebra. Eu, como disse no texto, vou lutar para manter algumas tradições vivas. Esse vai ser o nosso diferencial no futuro.

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