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Tudo acaba em pizza

10 de maio de 2016

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No restaurante ou em casa. Individual ou gigante. Talvez a pizza seja um dos pratos mais versáteis da culinária. Mas qual é a história rainha do “comfort food"?

A história da primeira pizza se perde no passado neolítico, quando os seres humanos conseguiram moer grãos, misturá-los com água e assar a mistura em pedras quentes. Ao longo das eras, a mistura foi ficando mais incrementada com a adição de fermento, óleo e outros ingredientes como alho, cebola e especiarias. Pouco a pouco a simples pizza foi ganhando o status de focaccia, alimento barato e prático. A propósito, focaccia vem de focus, fogo ou forno em latim. Mas a primeira revolução na receita da velha focaccia aconteceu quando um ilustre latino-americano chegou a Nápoles e, depois de certa resistência, conquistou a população local. O Señor Tomate, em forma de molho espesso, passou a adornar a massa que ia ao forno. Em pouco tempo a pizza se transformava na comida típica da população pobre napolitana, até porque não precisava de talheres para ser degustada rapidamente na frente do balcão das padarias de rua.

Em 1889 o Rei Umberto I e sua Rainha Margherita dão as graças em Nápoles e provam uma pizza preparada especialmente para a ocasião por Rafaelle Esposito, dono de uma pizzaria bastante conhecida na cidade. Sua ideia foi assar uma pizza nas cores da bandeira italiana e para isso adicionou ao molho de tomate queijo mozzarella e manjericão. Margherita se regalou e seu nome batizou a receita, que dali conquistou o mundo, já que nessa época houve a primeira migração massiva de italianos para as Américas.

A segunda revolução da pizza aconteceu nos Estados Unidos com a popularização das pizzarias, a invenção da pizza congelada e a expansão das redes de franquias com delivery. Da inauguração da pizzaria Lombardi’s, na rua Spring de Nova York, em 1905, à abertura do primeiro restaurante Pizza Hut, no Kansas, em 1985, o prato preparava-se para tornar-se mundialmente conhecido.

Os italianos que chegaram ao Brasil no início do século passado também não demoraram em abrir as primeiras pizzarias brasileiras. Como se misturaram facilmente com a população local e com as outras levas de imigrantes que aportavam por aqui, as receitas foram fiando cada vez mais criativas. Hoje, São Paulo e Nova York são as cidades onde mais se consome pizza. O dia 10 de julho é o Dia da Pizza paulistano. Os pizzaiolos também já não são mais italianos. Em São Paulo, 85% deles vêm do Nordeste, em Nova York, são majoritariamente latino-americanos, como o Señor Tomate.

No entanto, em Nápoles, os puristas afimam ser sacrilégio chamar qualquer coisa que não seja margherita (tomate, mozzarella e manjericão) ou marinara (tomate, azeite, alho e orégano) de pizza. E tremem ao ler que certas pizzarias adicionam M&Ms ou chocolate à massa e ainda têm a coragem de chamar o resultado de pizza. Conseguiram, em 2009, que a União Europeia reconhecesse a apelação de “pizza napolitana” para proteger e salvaguardar a pureza das receitas originais. Mesmo assim, a pizza é a verdadeira rainha da gastroglobalização. Um alimento que surgiu da evolução natural dos seres humanos e que foi se transformando de acordo com os passos da história. Ela consegue agregar ingredientes variados, é fácil de preparar e ainda mais fácil de comer. Hoje, pedir uma pizza em Hanói, Sydney, Curitiba ou Harare é tão normal quanto tomar uma Coca-Cola, mesmo que os puristas napolitanos continuem a dar os seus pitacos.

frango

marinara

napolitana

Portuguesa

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