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Oeste da África: bem-vindo à Mali

3 de maio de 2016

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Já ouviu falar em Djenné? E Mopti? Que tal conhecer Timbuktu ou Dogon Country? Raul Frare narra sua viagem a Mali

A ideia de conhecer o oeste da África sempre me despertou muito interesse e curiosidade. A proposta era fazer uma viagem de 4×4 pelo Mali percorrendo todas as regiões do país. Consegui achar o companheiro ideal: o meu amigo Lorenzo Madalosso, que, como eu, já havia viajado por terra em outras regiões remotas do planeta.

O Mali é considerado a joia do oeste da África. Um destino muito especial com uma rica variedade de atrações. O país ocupa o coração de um território que já abrigou antigos impérios e civilizações.

IMG_0086De Bamako a Djenné

Encontrei o Lorenzo em Paris e de lá voamos para Bamako, a capital do país, onde iniciamos a nossa viagem. Cortada pelo Níger, um dos rios mais longos da África, Bamako é uma cidade vibrante, com bons restaurantes, hotéis, vida noturna agitada e grandes mercados de rua.

As estradas do Mali estão em boas condições e, apesar de estreitas, são muito vazias. Partimos de Bamako e fomos em direção a Djenné, uma das principais atrações do oeste da África. A estrada corta vilarejos e enormes planícies e é possível ver gigantes baobás ao longo do caminho. Tombada pela UNESCO como patrimônio da humanidade, Djenné é uma cidade espetacular, conhecida pela sua grande mesquita, a maior estrutura do mundo feita em argila. O melhor dia para conhecê-la é segunda-feira. Quando acontece o famoso mercado local. Infelizmente, a entrada no interior da mesquita é vetada a não muçulmanos. Construída com barro misturado com palha seca e cocô de vaca, é uma estrutura imponente com uma arquitetura fantástica. Centenas de camponeses das tribos vizinhas trazem seus produtos para serem vendidos ou trocados nas barracas montadas em frente à mesquita. É um verdadeiro espetáculo de cores, aromas, fumaça e sabores. Com certeza aquele cenário não deve ter mudado muito nas últimas centenas de anos.

Peixes secos pescados no Níger, carnes, frutas exóticas, verduras, animais vivos, temperos, especiarias, couros e roupas. Mercadores negociando seus animais, crianças correndo em meio a porcos e galinhas, mães com bebês nas costas, muito barulho e línguas diferentes. Vagamos por horas fascinadoIMG_0228s com tudo aquilo que acontecia ao nosso redor e nos sentimos  extraterrestres intrusos com nossas câmeras nas mãos. Almoçamos num restaurante local e provamos o “captain”, um peixe grelhado no carvão, eleito o prato preferido de toda a viagem. É uma espécie de carpa grelhada com manteiga e limão. A carne é tenra e muito saborosa.

De Djenné passamos por Mopti, a segunda maior cidade do Mali e um importante porto à beira do Níger. Fizemos um passeio de “pinasse” pelo rio, uma espécie de canoa de madeira motorizada, e visitamos alguns vilarejos, mercados flutuantes e ilhas. Nos hospedamos num hotel cujo dono era um libanês e, para nossa alegria, o cardápio do restaurante tinha também típicos pratos libaneses.

De lá seguimos viagem em direção à lendária e isolada cidade de Timbuktu. Nosso principal objetivo da viagem era conseguir chegar nesse local considerado por muitos viajantes como um dos lugares mais inacessíveis do planeta. O verdadeiro fim do mundo. Apesar de todos os avisos de segurança das embaixadas europeias aconselhando a não visitar essa região, decidimos ir mesmo assim com a ideia de que ninguém faria mal ou tentaria sequestrar dois viajantes do país do futebol. Havia rumores de que uma célula da Al Qaeda estaria tentando controlar e separar a região do resto do país promovendo ataques terroristas.

Apesar de todos os avisos de segurança das embaixadas europeias aconselhando a não visitar essa região, decidimos ir mesmo assim com a ideia de que ninguém faria mal ou tentaria sequestrar dois viajantes do país do futebol.

De fato éramos os dois únicos turistas na cidade. Perambulando pelas ruas, tivemos a chance de assistir a um jogo de futebol no estádio municipal. Na entrada havia dezenas de crianças tentando, sem sucesso, entrar e sendo ameaçadas por um policial com cassetete na mão. Fizemos a alegria da criançada quando pagamos a entrada de todas elas e mandamos o policial liberar a catraca. Logo viramos celebridades locais.

Timbuktu é uma cidade milenar com a maioria da população beduína e fica num ponto muito estratégico entre o Deserto do Saara e o Rio Níger. Era o ponto final das caravanas de camelo que ligavam o Mediterrâneo ao oeste da África desde os tempos medievais. Foi a capital de um dos impérios mais prósperos da África, com inúmeras universidades islâmicas e mesquitas.

IMG_5373O país Dogon

De Timbuktu fomos para o lugar mais fascinante do Mali, uma região chamada Dogon Country. Também tombado pela UNESCO como patrimônio histórico e cultural da humanidade, Dogon fica na região central do país e é formado por pequenos vilarejos encravados ao longo da Falésia de Bandiagara. O povo Dogon se estabeleceu ali há mais de mil anos na tentativa de  fugir do Islã. Possuem suas próprias línguas, crenças, costumes, calendários e culinária. Vivem de forma muito primitiva, através do pastoreio de animais e agricultura rudimentar.

Percorremos a pé uma série de vilarejos ao longo da Falésia. Com muros de barro e casas de sapé, cada vilarejo possui na parte mais alta seu Hogon, onde vive o ancião líder espiritual da comunidade. É uma figura de grande respeito para quem os mais jovens pedem conselhos e trocam ideias. O mais curioso é que as mulheres roubam a cena e são responsáveis por praticamente tudo na sociedade, principalmente pelo trabalho mais pesado. Elas carregam os filhos nas costas, baldes de água nas cabeças, cultivam e preparam os alimentos, cuidam da colheita, da troca dos produtos nos mercados etc.

Visitamos o mercado local onde mulheres com roupas coloridas vendiam frutas e verduras e provamos a cerveja feita de milheto. Bebemos aquela água suja e quente diretamente da bacia que estava sendo carregada na cabeça de uma mulher.IMG_0353

Com tantas atrações incríveis, o Mali é ainda muito pouco visitado. Mesmo sendo um dos países mais pobres do mundo, é relativamente seguro viajar por lá, com exceção de Timbutku, onde rebeldes separatistas recentemente tomaram o controle da região. Centenas de crianças se aproximam durante toda a viagem para pedir dinheiro, balas e presentes.  Percorremos mais de 3.000 quilômetros com nossa Land Cruiser pelas estradas do país e encerramos nossa viagem no mesmo ponto de partida, a capital Bamako.

Quer visitar?

A maneira mais fácil de chegar no Mali é voando Air France via Paris. Visto e vacina de febre amarela são obrigatórios. Para a emissão do visto, o ideal é conseguir uma carta-convite através de uma agência de turismo local mediante contato prévio. A língua oficial é o francês e a moeda o franco. Dólares e euros também são aceitos. A melhor época para ir é após a estação das chuvas: de novembro a janeiro.

Raul Frare cria vacas e planta soja. Lorenzo Madalosso cria galinhas e planta alface. Nas horas vagas os dois viajam.
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