Pudim de ovos

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Venho de uma família de pelotenses. Felizmente escapei das piadas. Primeiro por ter nascido mulher. Segundo por ter vindo ao mundo a 250 quilômetros de lá. Mas, claro, convivi desde pequena com as brincadeiras que envolvem o nome da cidade dos meus pais. E convivi também com outra fama de Pelotas: os doces feitos de ovos. Os tais doces “finos” portugueses.

Pensou nos bem-casados? Sim, eles viraram moda uns anos atrás (alerta: fazê-los com recheio de doce de leite é um sacrilégio para a doçaria tradicional), mas são apenas uma das delícias que vêm de lá. Pense em tudo que leva muita gema e muito açúcar. Agora adicione o ingrediente “paciência” e você chega à fórmula secreta de grande parte das receitas que foram trazidas pelos nossos colonizadores, como fios de ovos, pastel de Santa Clara, ninho, papo de anjo e por aí vai…

Depois de passar anos vendo minha mãe encomendar caixas de doces de todos os parentes que vinham da sua terra (e me recusar a experimentar por pura rebeldia – e falta de sabedoria – juvenil), fui morar em Lisboa. E foi lá, guiada pelo amigo alfacinha (lisboeta) Antônio Vidinha, que descobri o que estava perdendo.

A primeira e mais importante descoberta foi o indescritível e arrebatador pastel de Belém. Direto da fábrica, quentinho, salpicado de canela e açúcar de confeiteiro. De comer de joelhos. Acompanhado de uma bica, claro. Depois é que fui descobrir a história e entender o porquê de tanta gema. Para resumir: os doces portugueses (os “conventuais”, ok?) surgiram no século 15, quando as freiras dos conventos separavam as claras para engomar seus hábitos. Como não sabiam o que fazer com tanta gema, faziam doces.

E a minha avó Nayr, que sabia exatamente o que fazer com as gemas, desenvolveu a mais perfeita receita de fios de ovos da América (exagero é outra característica gaúcha e essa eu trago no sangue). Mas ela não está mais entre nós e a única pessoa que teve acesso ao seu maior segredo foi a minha sogra. Perfeitamente instruída a não divulgar para mais ninguém (talvez para as minhas filhas, um dia, quem sabe). Por isso, desculpe-me, caro leitor, vou privá-lo desse prazer, mas presenteá-lo com outro: a receita do pudim de ovos dos frades do Convento de Alcobaça. Anota aí:

Pudim de ovos:

  • 1 kg de açúcar
  • 4 ovos inteiros
  • 14 gemas (além das 4 acima)
  • manteiga

Modo de fazer:

Leve o açúcar ao fogo com 250 ml de água e deixe ferver até fazer uma calda grossa. Misture, sem bater, os ovos inteiros com as gemas. Deixe o açúcar esfriar um pouco e junte aos ovos. Misture tudo e coloque numa fôrma de pudim untada com manteiga. Cubra e leve ao forno em banho-maria durante uma hora. Espete um palito para ver se já está cozido (o palito deve ficar úmido, mas limpo). E pronto.

Prefere ver o passo a passo? Clique na receita de pudim de ovos

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