O “Lollapalooza dos Supermercados”: O que a Apras 2026 nos ensina sobre a maturação das tendências

Oi, meu nome é Waline. Eu faço parte do time da Tutano e já faz três anos seguidos que bato ponto na Apras. Se a gente estivesse sentado um de frente para o outro agora, a primeira coisa que eu te diria é: você precisa ver aquilo de perto.

Lembro como se fosse hoje, lá em 2024, na minha primeira vez. Eu fiquei simplesmente deslumbrada. Para mim, a Apras é como se fosse o “Lollapalooza dos supermercados”. Os estandes são impecáveis, as ativações de marca acontecem a cada esquina e as empresas realmente levam o melhor do melhor para brilhar ali. Mas, como na Tutano a gente não vai a eventos apenas para passear, eu fui com o meu olhar mais clínico. Minha missão? Entender o funcionamento do evento e, principalmente, pescar as novidades. Afinal, nosso papel é estar sempre um passo à frente, entendendo se o que falamos na nossa página está, de fato, chegando na gôndola e no consumidor final.

Nesse primeiro ano, lá em 2024, eu já senti algo despontando forte: a tendência de saúde e bem-estar. Naquela época, enquanto aqui no Brasil os produtos “zero” ainda ganhavam espaço, na Europa e nos EUA esse movimento já estava em um estágio muito mais avançado. Lá fora, o conceito de healthy lifestyle e o mercado de bebidas sem álcool (non-alcoholic) já eram protagonistas. Isso só reforça o quanto é vital mantermos o olhar atento para o que acontece no exterior; olhar para fora é, muitas vezes, conseguir enxergar o futuro do nosso próprio mercado com alguns anos de antecedência.

Em 2025, o que era “aposta” por aqui se consolidou. Vimos versões zero açúcar por todo lado e rótulos muito mais focados nos benefícios (proteínas, fibras) do que apenas no produto em si.

Agora, acabo de voltar da edição de 2026 e a sensação é diferente. Não tivemos aquela “explosão” de novidades disruptivas como nos anos anteriores. E sabe por quê? Porque agora o jogo mudou. O olhar para a saúde e o bem-estar deixou de ser um diferencial e virou obrigatório.

Quer um exemplo? Passamos no estande da Três Corações. Eles são gigantes e investem pesado em inovação. Desta vez, o foco foi a praticidade extrema para o esporte através da parceria com a Jungle, focando em isotônicos naturais. Eles também lançaram o “SuperCoffee” em pó para dissolver na água — algo focado totalmente no atleta que não quer carregar peso. Ele leva o sachê, compra uma água no caminho e prepara na hora. É a conveniência servindo à performance.

Outro destaque incrível foi a Cini. Uma marca super tradicional aqui do Paraná que soube se renovar com inteligência. Eles fizeram uma collab “raiz” com a Bapka para criar sorvetes nos sabores Gengibirra e Framboesa. Além disso, a Cini já entrou no mercado de energéticos com a linha Piq! diretamente na versão zero açúcar. Eles já abraçaram a tendência de saúde unida ao hype da “brasilidade”, que está super em alta agora com o clima de Copa do Mundo.

imagem: Divulgação Cini

A Refriko seguiu a mesma linha, lançando sua versão de tubaína sem açúcar, provando que até os sabores mais nostálgicos precisam se adequar ao novo paladar do consumidor.

imagem: divulgação Grupo RFK

No fim das contas, essa minha jornada de três anos na Apras me ensinou que uma grande tendência não acontece da noite para o dia. Ela leva anos para se consolidar. O que vimos nascer em 2024 agora é a realidade batendo à porta. O mercado não está mais apenas “tentando” ser saudável; ele está se estruturando para que o saudável seja o novo normal.

Waline Piper é designer e especialista em neuromarketing com foco em digital. À frente da Agência Piper e criadora de conteúdo na Tutano desde 2024, ela assina o marketing de grandes eventos gastronômicos em Curitiba. Taurina com ascendente em Gêmeos, vive o dilema de amar o porto seguro enquanto persegue o novo e descobriu na comunicação a mesa perfeita para degustar o melhor da gastronomia.

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