Se você já provou um matcha que tinha gosto de mato amargo ou cheiro de alga velha, eu preciso te dar uma notícia: você provavelmente não tomou um matcha de verdade. No Brasil, o interesse pela bebida explodiu, mas o conhecimento sobre o que realmente vai na xícara ainda está em fase de embarque.

Para entender que matcha não é tudo igual, precisamos primeiro fazer o check-in na origem. O matcha é a folha inteira da Camellia sinensis moída em moinhos de pedra. Mas o segredo está no cultivo: as plantas são sombreadas semanas antes da colheita, o que força a produção de clorofila. O resultado? Uma cor verde neon vibrante e um sabor que equilibra o umami e a doçura.

Nesta minha jornada desbravando o mercado, encontrei três marcas que são verdadeiros destinos obrigatórios para quem quer entender o que é excelência.

1. Matcha Guti: uma história de dor, coragem e recomeço

Conheci a Matcha Guti através de uma ativação no Sperto Coffee. Os fundadores, Guti e Eliana, criaram um workshop que foi uma verdadeira aula de infraestrutura sensorial. Pude tocar, sentir o aroma e entender as graduações da folha, algo fundamental para alfabetizar nosso paladar.

A história deles me tocou profundamente. Tsuyoshi Yamaguchi, o Guti, enfrentou um ambiente de trabalho tóxico no Japão até que um grave acidente quebrou seu maxilar, forçando-o a meses de silêncio e alimentação líquida. Foi nesse limite que ele conheceu Eliana e decidiu que era hora de recalcular a rota.

Em 2023, eles desembarcaram no Brasil trazendo a herança da família materna de Guti, que pratica a agricultura familiar de matcha no Japão há gerações. O diferencial deles é o rigor: o sombreamento é feito com palha de arroz, aprovado por um mestre de chá japonês.

@matchaguti

2. Namu: a conexão coreana que intriga o mercado

A Namu entrou no meu radar através da confraria da Argenta Cafés, onde nos reunimos para falar sobre as novidades do setor. Eles são a primeira marca no Brasil dedicada exclusivamente ao matcha, mas com uma origem fascinante: a província de Hadong, na Coreia do Sul.

Fiquei impressionada com o manifesto deles. É uma marca que dialoga com o seu tempo, focada em uma cadeia de mercado honesta e sustentável, apoiada pelo Hadong Green Tea Institute. Para deixar os baristas intrigados e fomentar a comunidade, eles criaram a Copa Matcha, provando que o ingrediente tem uma versatilidade gastronômica que ainda estamos começando a explorar por aqui.

@namumatcha

3. Obby: o “verde” com alma brasileira

Essa aqui eu não só experimentei, como bebo todos os dias. Tive o privilégio de acompanhar de perto e ajudar no desenvolvimento da nova estratégia da Obby — que significa “verde” em Tupi-Guarani. No processo de rebranding, decidimos abraçar a brasilidade, focando no público de cafés e baristas com o olhar voltado para a exportação.

A Obby é pioneira ao trazer a erva-mate no estilo matcha. Inspirada pela sabedoria milenar dos povos indígenas, que já usavam o mate como revigorante há milênios, a marca aplica a técnica japonesa de moagem fina à nossa planta nativa. O resultado é um produto 100% natural e orgânico que moderniza o consumo do mate, entregando vigor e frescor com uma sofisticação inédita.

@obbynatural

 

Check-in Sensorial: qual é o seu destino?

Para você não entrar em “roubada” na hora de escolher, aqui está o meu guia rápido de sabores:

Guti: sabor leve, limpo e que remete diretamente ao frescor da colheita das folhas verdes.

Namu: um perfil mais complexo, intrigante e com alta persistência na boca (aftertaste). Ideal para quem busca profundidade técnica.

Obby: o sabor inconfundível da nossa erva-mate verde; extremamente herbal, mas sem o amargor tradicional.

Matcha não é “pó verde”. É tecnologia agrícola milenar aplicada ao bem-estar. Seja na primeira classe do Japão, nas montanhas da Coreia ou nas matas do Brasil, o segredo é a conexão com a origem.

Waline Piper é designer e especialista em neuromarketing com foco em digital. À frente da Agência Piper e criadora de conteúdo na Tutano desde 2024, ela assina o marketing de grandes eventos gastronômicos em Curitiba. Taurina com ascendente em Gêmeos, vive o dilema de amar o porto seguro enquanto persegue o novo e descobriu na comunicação a mesa perfeita para degustar o melhor da gastronomia.

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