Não vim falar de flores, mas de uma realidade.
Quando pensamos em empreender, sonhamos com um negócio próspero, que nos faça feliz e traga um excelente retorno financeiro. Ninguém investe tempo, energia e dinheiro desejando problemas, não é?
Temos certeza de que os clientes virão entendendo o conceito e encantados com o que encontram, um crescimento constante, uma empresa próspera, mas infelizmente, existe uma diferença grande entre o negócio que imaginamos e o que construímos todos os dias, os desafios muitas vezes, tiram a pessoa do trilho imaginado e a jogam em um dia a dia pesado e de dependência.
A realidade é de custos mais altos, fornecedores que falham, clientes que reclamam, concorrentes, conflitos, falta de equipe e a que existe, pouco comprometida. Quando encontro essas operações vejo o problema e a solução centralizados em uma única coisa: pessoas.
E aí vem o contraponto, onde muitas vezes o empresário coloca energia? Ele investe em reformas, marketing, tecnologia, novo cardápio ou conceito, mas adia investimentos no desenvolvimento de lideranças e na construção de uma cultura forte. Ele pensa apenas no resultado, mas não em quem precisa ir atrás dele para consegui-lo.
O problema aparente está processos falhos, na falta de vendas, mas sua origem está na forma como as pessoas internamente são lideradas, se relacionam, trabalham juntas, enxergam o seu trabalho, a empresa e o cliente.
Cultura não é um discurso bonito na parede, ela é o que acontece quando surge um problema, a maneira como os líderes se comunicam, como os erros são tratados, como os resultados são reconhecidos e como as pessoas são respeitadas no dia a dia… e não é chamando a equipe de família que se resolve isso.
É importante entendermos que bons profissionais (porque os ruins se encostam fácil), não permanecem apenas por dinheiro. O salário é uma condição, mas raramente é o motivo que faz alguém ficar.
O que cria raízes é a qualidade das relações e das regras sendo cumpridas, o respeito, o reconhecimento, o desenvolvimento e a forma como as pessoas se sentem ao fazer parte daquela empresa.
A falta de uma gestão de pessoas e de lideranças preparadas gera questões como conflitos internos não resolvidos, disputas entre setores, falta de comprometimento, dificuldade de comunicação, alta rotatividade e baixa produtividade.
Abrir um restaurante pode ter sido um sonho, mas sustentá-lo é liderança! Estamos vivendo um período que tem sido marcado pela falta de pessoas para trabalhar, boas e comprometidas então, ainda mais.
Além disso, muitas empresas continuam com um olhar quase exclusivo para a gestão financeira e operacional e um olhar limitado para além do básico do RH.
E é justamente aí que existe uma oportunidade de mudança, perceber que administrar um restaurante não é apenas olhar para números e servir boa comida. É construir um ambiente onde as pessoas consigam trabalhar bem, se desenvolver e entregar o melhor de si. É buscar fazer diferente para conseguir resultados diferentes!
O segredo é, onde existe clareza, confiança, boa comunicação e desenvolvimento, as pessoas encontram um lugar que desejam fazer parte.
No final das contas, são elas que atendem os clientes, produzem os pratos, resolvem os problemas, sustentam a cultura e transformam esse “sonho” em uma empresa de verdade, com erros e acertos, perdas e conquistas.
O mundo hoje está diferente e as pessoas também. Além disso, em um levantamento, a Abrasel trouxe que apenas 33% das operações gastronômicas estão operando no lucro. É uma realidade dura e, quando o lucro é pequeno ou inexistente, o custo de uma liderança ruim se torna ainda maior.
Se esse fosse o fim de um podcast e o entrevistador me dissesse:
– Se todas as suas mensagens e redes sociais sumissem no mundo e você pudesse deixar apenas uma, que pudesse ajudar o maior número de pessoas, o que você diria?
Eu diria:
– Olhe, direcione e forme as lideranças da sua empresa. São elas que conduzem as pessoas, sustentam a cultura e transformam a operação em resultado. A gestão de pessoas é o caminho para construir uma empresa mais sustentável, produtiva e lucrativa.
Tuxa Gonçalves é mentora de lideranças, palestrante e treinadora de equipes de atendimento ao cliente. Especialista em gestão de pessoas na gastronomia, ajuda empresários a reduzirem o turnover, fortalecerem suas equipes e aumentarem seus resultados por meio de uma liderança mais preparada e equipes mais autônomas e engajadas.