Tenho vivido um tempo de reorganizar pensamentos, reconhecer sentimentos e tentar compreender o que faz sentido levar comigo. Talvez por isso o final da série turca Uma Nova Mulher tenha me tocado tanto, tive aquela sensação de que algumas histórias não chegam até nós por acaso. Vocês já viram? As atuações não são de um Óscar, mas ela me trouxe algumas perguntas: quantas vezes precisamos recomeçar ao longo de uma vida? Quantas vidas cabem em nossa única vida?

Inclusive na série tem um restaurante cheio de memorias e sonhos…

A gastronomia é apaixonante, mas também é muito competente em transformar sonhos em cansaço quando não existe uma boa gestão.

Ela tem cheiro, memória, afeto e celebração. Por isso, é tão fácil se apaixonar por ela. E a nossa vida, também precisa disso, não?

A gastronomia também carrega aquilo que falta em muitas profissões: criatividade, acolhimento, hospitalidade, encontros e propósito. Muitas coisas são sonhadas, combinadas e comemoradas ao redor de uma mesa e esses são alguns motivos do porquê a gastronomia está em tantos planos B de vida.

Muitos empresários vieram de outras profissões e começaram por uma história de família ou o prazer de receber amigos. Mas gostar de cozinhar ou de preparar uma mesa bonita não é a mesma coisa que administrar um negócio gastronômico.

Para quem vê de fora, um café gostoso, uma pequena pousada ou um restaurante cheio de personalidade podem parecer a resposta para uma vida profissional sem sentido, mas antes de trocar uma carreira, talvez seja necessário perguntar: estou indo em direção a um sonho ou apenas tentando fugir de uma frustração?

E, para quem está dentro, a pergunta precisa ser outra: quero sair porque estou frustrado, cansado e sem resultado financeiro ou realmente isso não é mais para mim?

Ao mesmo tempo, conhecer a dureza do negócio não deveria nos fazer perder o encantamento. Em que momento o seu negócio deixou de ser uma escolha e passou a ser apenas uma obrigação?

Talvez recomeçar seja parar, olhar para dentro, entender o que nos faz bem, agradecer e desenhar os próximos passos com decisões que construam versões melhores de nós mesmos. Isso cabe perfeitamente para um negócio também.

Não é voltar ao ponto de partida, porque na maioria das vezes ele nem existe mais e nem é jogar tudo paro alto.

É definir, que movimentos e olhares diferentes eu posso ter para obter resultados diferentes daqui para frente?

O que precisa mudar para que o brilho volte?

Olhe para a resposta, então profissionalize, humanize e aja!

Às vezes, desenhar é lembrar do porquê antigo ou encontrar um novo porquê.

É profissionalizar o que nasceu intuitivamente, mudar a forma de gestão, se capacitar no que falta ou pedir ajuda… o mais importante é sair do piloto automático ou da vitimização, e de maneira racional, desenhar um novo itinerário!

Acredito que não existe uma resposta concreta para as primeiras perguntas, apenas uma certeza de que na vida e nos negócios, recomeços são inevitáveis.

Por isso, que nunca nos falte a coragem para reconhecê-los e vivê-los por inteiro.

Tuxa Gonçalves é mentora de lideranças, palestrante e treinadora de equipes de atendimento ao cliente. Especialista em gestão de pessoas na gastronomia, ajuda empresários a reduzirem o turnover, fortalecerem suas equipes e aumentarem seus resultados por meio de uma liderança mais preparada e equipes mais autônomas e engajadas.

plugins premium WordPress