Uma visita ao restaurante mostra que sua história vai muito além do cardápio
Foi durante um almoço recente do Ile de France que entendi por que o restaurante ocupa um lugar tão especial na memória de tantos curitibanos.
Fundado em 1953, o restaurante construiu uma base de clientes tão fiel que, quando os fundadores decidiram encerrar a operação, em 2021, foram justamente alguns desses frequentadores que se uniram para comprar a casa e manter o restaurante funcionando. Recentemente, o Ile de France passou um mês fechado para uma reestruturação e voltou com uma novidade importante: além do jantar, agora também abre para almoço às sextas, sábados e domingos.
O que mais me chamou atenção, no entanto, foi perceber que a história continua muito viva mesmo depois de 73 anos de trajetória. Os garçons conhecem cada detalhe e fazem questão de compartilhar com os clientes. Um deles me disse uma frase que resume bem o lugar: “As pessoas vêm não só pela comida, mas também por tudo o que o Ile de France representa.”
Foi assim que descobri que os fundadores tinham um hotel na França antes de virem para o Brasil e abriram o restaurante para preservar um pouco daquela memória. Até hoje, o sorbet servido entre a entrada e o prato principal chega à mesa em taças que pertenciam ao antigo hotel. Achei esse cuidado um dos detalhes mais bonitos da refeição.

Também aprendi uma curiosidade que explica a proposta da casa: a cozinha do Ile de France representa uma França anterior à Nouvelle Cuisine. Ou seja, esqueça a ideia de pratos minimalistas. Aqui a proposta são porções generosas, molhos marcantes e uma cozinha francesa clássica.
Experimentei o Steak au Poivre com purê de batatas gratinado, que estava excelente. Entre os pratos que seguem como símbolos da casa estão também o Steak Tartare, o estrogonofe, os camarões ao champagne e os escargots.


Saí de lá pensando que, para quem já frequenta o Ile de France, essa reabertura é um reencontro, mas talvez ela seja ainda mais importante para quem nunca entrou ali. Porque muitos curitibanos das novas gerações cresceram ouvindo falar do restaurante, mas ainda não tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Talvez esse seja um bom momento para mudar isso.
Ale Vianna é Diretora da Tutano e trabalha criando pontes entre comida, cultura e pessoas. Atua também na Nazdarovia e na Mapie, desenhando experiências, eventos e produtos inovadores para a hospitalidade brasileira. Vive a gastronomia dentro e fora do trabalho – entre mercados, mesas e conversas – sempre buscando equilíbrio nos momentos de movimento, treino e cuidado com a saúde. É mãe do Caio, papel que atravessa tudo: o jeito de olhar, de escutar, de escolher o ritmo e de imaginar futuros mais sensíveis, humanos e possíveis.