A Tutano conversou com Alex Caetano, diretor industrial do Grupo RFK, para entender como a automação, a gestão em tempo real e o controle de processos estão redesenhando o mercado.
A inauguração da maior unidade fabril da história do Grupo RFK em São José dos Pinhais (PR) traz para a mesa um debate urgente sobre o futuro da gastronomia industrial. Para entender o que está por trás de um investimento desse porte e como ele impacta todo o mercado, a Tutano entrevistou Alex Caetano, Diretor Industrial do grupo. O resultado é um raio-X claro de como a indústria de bebidas está se reorganizando para responder a um setor cada vez mais exigente e competitivo.
Na conversa, Alex Caetano detalhou que a transformação do setor nos últimos 20 anos reflete uma transição profunda: a saída de um modelo fundamentado em processos isolados para a consolidação de fábricas totalmente integradas e orientadas por dados.
Se antigamente etapas como recepção de insumos, envase e expedição funcionavam como ilhas separadas, hoje a Indústria 4.0 exige integração total. Segundo Alex Caetano, o monitoramento em tempo real de pressão, temperatura, velocidade de linha e consumo de insumos é o que garante previsibilidade à operação.
A automação das linhas, a manutenção preditiva e a rastreabilidade ponta a ponta deixaram de ser diferenciais para virar requisitos básicos. Quanto maior a escala, maior é a exigência de precisão para que a primeira e a milionésima embalagem entreguem rigorosamente o mesmo padrão ao consumidor.
Outro ponto central abordado por Alex Caetano na entrevista foi o desafio ambiental. O consumo de água e energia representa tanto um gargalo ecológico quanto um fator direto de custo na margem do negócio.
Sistemas de recuperação de calor, reaproveitamento de água e captura de CO₂ mostram que a sustentabilidade precisa ser desenhada na planta baixa da fábrica. Para o diretor industrial, produzir mais consumindo proporcionalmente menos recursos é a equação que define a sobrevivência financeira do setor.
Durante a entrevista, a Tutano questionou o impacto da tecnologia no quadro de funcionários. Alex Caetano foi direto: a automação não elimina o fator humano, apenas muda a sua função. A máquina entrega repetição e precisão, mas é a experiência das equipes que garante a interpretação dos dados e a tomada de decisão em situações fora do padrão.
Os profissionais migram da execução braçal para a análise estratégica da operação.
Os ganhos de uma grande estrutura fabril nem sempre aparecem na prateleira de forma óbvia, mas chegam ao consumidor final em formato de constância de sabor e disponibilidade do produto. Como Alex Caetano ressaltou à Tutano, a busca por eficiência e rigor técnico deixou de ser exclusividade de multinacionais para virar diretriz de qualquer operação que pretenda ter longevidade no mercado.