No mercado gastronômico de Curitiba, o Al Sultan é um caso de sucesso indiscutível em volume. Com sete unidades e a marca histórica de 5 milhões de esfihas vendidas, a rede consolidou-se como uma operação de eficiência logística e democratização da culinária árabe. No entanto, o movimento recente da marca revela uma ambição estratégica mais profunda: o investimento no atendimento presencial e o rebranding focado na experiência.

Quando uma marca já domina o delivery, faz sentido expandir para o salão? Sob a ótica de gestão, a resposta reside no LTV (Lifetime Value) e na construção de valor de marca.

A economia da conveniência vs. a economia da experiência

O delivery é o jogo da agilidade e do padrão. O salão, por outro lado, é o jogo da hospitalidade e do ticket médio. Para o Al Sultan, a transição para o modelo de salão nas unidades do Juvevê e Água Verde não é apenas uma reforma estética, mas uma mudança na matriz de faturamento.

Além disso, a introdução do buffet por quilo é uma estratégia clássica de otimização de fluxo para o horário do almoço, garantindo giro rápido e ocupação de mesa em períodos ociosos.

Fotos: Waline Piper

O desafio da cultura: treinamento e equipe

A maior barreira para uma marca “nascida” no delivery ao migrar para o salão não é o cardápio, mas as pessoas. A logística de entrega foca em processos de cozinha; o atendimento presencial foca em soft skills.

  • Ampliação e Treinamento: O Al Sultan enfrenta agora o desafio de escalar sua equipe de frente. Atender no salão exige um treinamento que vai além da entrega do prato: envolve a consultoria do cardápio, o tempo de reposição e a gestão do ambiente.
  • Investimento em Infraestrutura: As reformas nas unidades Juvevê e Água Verde sinalizam que a marca entendeu que, para competir no salão, o ambiente precisa ser um convite. O rebranding precisa ser sentido no toque da mesa e na iluminação, não apenas no logotipo.

Faz sentido expandir para o presencial?

Para uma marca com 15 anos de estrada, o salão funciona como um ponto de contato emocional. Enquanto o delivery resolve o problema da fome, o restaurante resolve o desejo de conexão.

Estrategicamente, o movimento do Al Sultan permite:

  1. Diferenciação: Sair da guerra de cupons dos aplicativos e fidelizar o cliente pelo serviço.
  2. Rentabilidade: O consumo de bebidas, sobremesas árabes e o up-selling de combos são muito mais orgânicos no contato direto com o garçom.
  3. Autoridade: Unidades físicas robustas e bem frequentadas chancelam a qualidade do produto que o cliente recebe em casa.

 

Fotos: Waline Piper

O Al Sultan está saindo da zona de conforto da “eficiência invisível” para a vitrine do salão. É um movimento corajoso que exige disciplina. Se a marca conseguir transpor a qualidade de suas receitas de família para um atendimento que encante na mesma medida, ela deixa de ser apenas uma opção de conveniência para se tornar um destino gastronômico em Curitiba.

Waline Piper é designer e especialista em neuromarketing com foco em digital. À frente da Agência Piper e criadora de conteúdo na Tutano desde 2024, ela assina o marketing de grandes eventos gastronômicos em Curitiba. Taurina com ascendente em Gêmeos, vive o dilema de amar o porto seguro enquanto persegue o novo e descobriu na comunicação a mesa perfeita para degustar o melhor da gastronomia.

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