Origem e impacto: prazer, Locavorismo.

Deixe me tentar explicar o que é o locavorismo através de uma analogia. O Brasil tem cerca de 1200 espécies ameaçadas de extinção, dentre elas está a onça pintada por exemplo. Para você faria mais sentido fomentar uma super população de onças pintadas ou buscar restaurar pequenas populações destas 1200 espécies ameaçadas? Se sua resposta foi a segunda opção temos algo em comum.

Muitas destas espécies estão ameaçadas por causa da devastação do seu habitat natural. Então para salvaguardar estas espécies nós precisamos salvaguardar seu habitat natural. E adivinha: além das espécies se regenerarem corremos um grande risco de ter outras melhorias: mais abundância de água e solos mais saudáveis até menos impacto com as mudanças climáticas. E uma alternativa que está (literalmente) na mesa é um olhar para as cadeias produtivas locavoristas.

O Locavorismo é um dos mais intensos movimentos da atualidade e desponta como resistência ao processo de globalização da sociedade de consumo, resistência à homogeneização dos mercados. Para o Locavorismo a produção em massa é um problema.

O Locavorismo defende a iniciativa privada como um direito de todos e defende principalmente a diversidade, os territórios e suas comunidades. É desse modo que o Locavorismo vem se desenvolvendo, nos lugares onde ninguém vê, nas brechas.

O Locavorismo busca interligar o consumidor ao produtor que lhe está próximo, o meio rural com o urbano, incentivando relações de confiança, tanto no trabalho quanto no comércio. As cadeias de suprimento curtas são uma das características que fazem do Locavorismo uma estratégia para o desenvolvimento sustentável. Aliás, o Locavorismo está completamente alinhado com os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis, descritos no PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (ONU, 2020).

Mas o Locavorismo não propõe apenas uma nova estratégia de desenvolvimento econômico ou de desenvolvimento social. Tampouco propõe apenas uma estratégia de sustentabilidade, ambiental. O que o Locavorismo vem propor é, principalmente, uma nova estratégia cultural. Uma transformação cultural, uma nova maneira de ver o mundo. Uma nova maneira de entender e valorizar as coisas. Uma cultura busca conectar quem tem a demanda com quem tem a oferta, considerando sempre uma troca generosa de ambas as partes. 

Retomando a analogia, o locavorismo leva em consideração o impacto em cada território. Então quando preferimos fomentar pequenas populações destas 1200 espécies ameaçadas, estamos sugerindo que o impacto precisa ter endereço. O movimento locavorista está fundamentalmente associado ao território onde ele impacta. 


Paradigma Locavorista: Fazer Tudo Internamente ou Fomentar uma Rede?

A primeira opção, fazer tudo internamente, pode garantir controle total sobre a qualidade e o processo de produção, mas pode ser limitada em termos de escala e diversidade. Quando um restaurante decide fazer seu próprio pão ou seu próprio embutido, parece que ele está indo cada vez mais na direção de ser mais locavorista. Mas será?

O locavorismo é uma alternativa de impacto positivo no tripé social, ambiental e cultural,  gerando mais empregos e renda para comunidades locais, preservando a biodiversidade e os recursos naturais, bem como promovendo a cultura e a identidade local. Ou seja, na segunda opção, fomentar uma rede de parceiros e produtores locais, pode trazer benefícios como maior diversidade, redução de custos e aumento da resiliência.

É claro que esta opção em rede apresenta grandes desafios como:

– Cooperação: a necessidade de associações e cooperativas para fortalecer a cadeia produtiva

– Investimentos: a necessidade de recursos financeiros para apoiar a produção e a comercialização

– Conveniência: a necessidade de tornar os produtos locais acessíveis e convenientes para os consumidores

– Disponibilidade na compra: a necessidade de garantir a disponibilidade dos produtos locais nos mercados/


Mas o Locavorismo existe ou é apenas uma teoria?

Desde 2019 existe o Locavorista, que começou como um restaurante e pós pandemia se reorganizou como uma consultoria em desenvolvimento territorial atendendo clientes como Fundação Grupo Boticário e Instituto Comida do Amanhã. A partir do Locavorista nasceu um verdadeiro ecossistema com o objetivo de promover na prática o movimento locavorista, como o Marco Zero (Júlio Perneta 407) que se define como um laboratório de produtos e serviços locavoristas e o Espaço Nova Onda (Prudente de Moraes, 388) que reúne diversos empreendimentos dentre eles a fábrica de erva-mate da Manos & Hermanos. 

Outros exemplos de impacto na prática:

– O Restaurante Quintana da chef Gabriela Vilar de Carvalho abraçou e Iniciativa Guaviva no Festival Miringuava, no qual durante uma semana desenvolveu suas receitas usando ingredientes de origem do Miringuava. “Essa região abastece 20% da água da nossa região” e “tem muitos produtores que já entenderam a importância de fazer cultivo responsável”, reforça Gabriela. A iniciativa Guaviva foi desenhada e implementada pela consultoria Locavorista dentro do Movimento Viva Água Miringuava, idealizado pela Fundação Grupo Boticário, e ganhou prêmio nacional de sustentabilidade, o Design for a Better World.

– A Manos & Hermanos desenvolveu uma metodologia de curadoria e criação de blends de erva-mates com origem territorial, valorizando o território como protagonista na cadeia produtiva da erva-mate. Em 2025 a Associação Locavorista do Brasil em parceria com a Manos & Hermanos desenvolveu o Projeto Erva-viva Miringuava que apoia 30 familias da região a plantar 6 mil arvores de erva-mate e criando um produto que vai fomentar uma marca de reva-mate do seu territorio. Este projeto foi financiado pela Fundação Grupo Volkswagen. 

Estes dois exemplos mostram que a gastronomia mudou! Hoje o prato que chega até você precisa trazer sabor e qualidade, mas também tem origem e impacto.

O locavorismo é um movimento que oferece oportunidades para a sustentabilidade e o desenvolvimento local, mas também apresenta desafios que precisam ser superados. É necessário um compromisso com a cooperação, a inovação e a responsabilidade para criar um sistema alimentar mais justo e sustentável.

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