A Páscoa é, tradicionalmente, a grande festa da chocolataria. No entanto, o cenário de 2026 impõe uma maturidade de gestão inédita. O setor enfrenta hoje três grandes desafios: a alta histórica nos custos do cacau, a mudança no comportamento de saúde do consumidor e a necessidade constante de diferenciação em um mercado cada vez mais concorrido.
Para entender como essas variáveis estão sendo geridas, a Tutano conversou com quatro empresárias que são referência no setor em Curitiba:
Nesta análise, exploramos como elas transformaram esses obstáculos em pilares de sustentação para suas coleções, passando pelo design de experiência, a engenharia de custos e o novo perfil do consumidor.
A criação de uma coleção de Páscoa deixou de ser apenas sobre “sabor” para se tornar sobre posicionamento estratégico.
Hagi: foca na exclusividade e no rigor técnico. O destaque é o ovo de laranja confitada, um processo de alta complexidade que leva 20 dias de trabalho para preservar o sabor e o brilho natural da fruta. É um produto de edição limitadíssima, onde o valor está no cuidado extremo em cada etapa e no uso de cacau de origens específicas do Pará (Tuerê e Mocajuba).
GAaFeR: trabalha a inovação através de collabs de alto impacto. A PigBox, em parceria com a Casa do Torresmo, é uma narrativa regionalista que conecta o chocolate à cultura do Sul do Brasil. Ao unir chocolate ao leite com torresmo e bacon, a marca utiliza a ousadia para reforçar seu posicionamento e criar uma experiência sensorial que foge do óbvio.
Roberta Schwanke: propõe que o novo viés da confeitaria vai muito além da combinação de sabores. A grande inspiração deste ano é a textura. O menu foi estruturado para apresentar a textura em diversos formatos — de mimos a grandes presentes — dando um protagonismo inédito à crocância e trazendo técnicas como a mousse francesa para o universo dos ovos de colher.
Di Érica – Atelier de Doces: a coleção “Allegria” foca na leveza e no entusiasmo, inspirada por uma paleta de cores vibrantes. Mais do que produtos isolados, a marca apresenta um catálogo que convida ao rito da celebração, incluindo bolachas em aquarela para o público infantil e ovos premiados, como o L’Eclet de Mil Folhas, que foca na construção minuciosa de camadas de sabor e textura.
Com a cotação do cacau em níveis históricos, a sobrevivência do negócio exigiu precisão financeira e criatividade produtiva.
O ovo de Páscoa não é uma compra de impulso, mas um rito de presente. Por isso, o impacto de medicamentos inibidores de apetite é filtrado pelo posicionamento emocional de cada marca.
Como as marcas se sustentam para além do produto?
A Páscoa 2026 em Curitiba demonstra que a sobrevivência e o destaque no mercado de alta gastronomia dependem de uma visão macro da gestão. Essas marcas se mantêm relevantes porque priorizam não apenas o chocolate como produto final, mas a estratégia de negócio por trás dele: seja na rastreabilidade ética da cadeia produtiva, na engenharia de um portfólio diversificado ou na construção de uma experiência de marca que gere conexão real.